Quanta diversidade no Sudeste brasileiro!
Veja algumas peculiaridades dos quatro estados que compõem a região
Quando você pensa no Sudeste brasileiro, o que vem à cabeça? Provavelmente um emaranhado de imagens, dos arranha-céus de São Paulo às praias do Rio de Janeiro, passando pela mistura de história e modernidade encontrada em Minas Gerais e no Espírito Santo. De fato, o Sudeste é tudo isso – e muito mais!
O cineasta Geraldo Moraes, presidente da Coalizão Brasileira pela Diversidade Cultural, chega a dizer que "o Sudeste é uma ficção". “Os quatro estados não podiam ser mais díspares”, comenta.

A beleza da região de Furnas, em Minas Gerais, é destaque do Sudeste
Em comum
O mineiro, principalmente do interior, puxa o “R” de uma forma que ficou conhecida como o “R caipira” (poRta abeRta), e chama a atenção por expressões como "uai", "sô" e "bão". O capixaba revela influência carioca no modo de falar, com alguma pitada de Minas, mas tem palavras menos conhecidas em outras regiões como “massa” (para dizer algo legal) e “gastura” (ou seja, agonia).
Minas Gerais e Espírito Santo compartilham similaridades, como o mesmo amor pela panela de barro na cozinha e pela cerâmica como artesanato. E os moradores dos dois estados são conhecidos como muito acolhedores e receptivos – fazem qualquer um se sentir em casa.
Na gastronomia, a culinária mineira é muito baseada na carne de porco, na couve-manteiga, no tutu de feijão, pratos importantes para quem viajava por aquelas regiões interioranas, na época dos tropeiros. Não podemos esquecer, também, do mais do que tradicional pão de queijo. Quem nunca foi a uma casa mineira e recebeu o seguinte convite: “Bora lá tomá um cafezinho com pão de queijo”?
Já a culinária do Espírito Santo pega carona nos frutos do mar, como na famosa moqueca de peixe – sem o azeite de dendê e o leite de coco que caracterizam o prato baiano – e na caranguejada.
Rio x São Paulo
É conhecida a rivalidade entre paulistas e fluminenses, principalmente entre paulistanos (quem nasceu na cidade de São Paulo) e carioca (quem nasceu na cidade do Rio de Janeiro). Ela remonta à época do Império, quando, em 1889, o Rio foi elevado à condição de capital, enquanto São Paulo se transformava em grande polo empresarial. As diferenças, ao longo dos anos, refletiram-se muito nos habitantes dos dois estados. O fluminense geralmente é mais descontraído, começa suas frases com a expressão "cara!" e ao se espantar diz “caraca!”. Os paulistas, às vezes considerados mais sérios, são fãs de “bacana” (para dizer “legal”), “mó legal” (como “muito legal”) e, especialmente na capital, dirigem-se aos outros como "mano" e "meu".
As diferenças chegam a ser curiosas, de vez em quando. Carioca, quando sai à noite, vai para a "night". Já o paulistano vai para a "balada". No Rio, “ficar” com alguém (no sentido de namorar por curto período, sem compromisso) foi substituído por “pegar”. Em Sampa, você “xaveca” alguém. No trânsito, a Torre de Babel continua. O semáforo, para o fluminense, é “sinal”, enquanto para o paulista é “farol”.
Os cariocas falam um S chiado: “dois”, por exemplo, é pronunciado como “doich”, aponta a professora de Língua Portuguesa Susana Alice Marcelino Cardoso, da Universidade Federal da Bahia, coordenadora do Atlas Linguístico do Brasil, ainda inédito. Os paulistas, sobretudo no interior do estado, usam o R retroflexo, mais conhecido como “R caipira”.
Lidar com essas diferenças geralmente é fácil, seja no trabalho ou num ambiente mais informal. Até porque, "fora as variações regionais, a língua é a mesma", como lembra a professora de Linguística Aparecida Negri Isquerdo, da Universidade Federal do Mato Grosso do Sul. No Brasil, o modo de falar varia mais de acordo com a classe social e o grau de instrução do que com a geografia. Pode até ser que às vezes um colega de trabalho use uma palavra que você não conhece, mas aí é só perguntar o significado, não é mesmo?
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