O Nordeste arretado e as tradições do Norte
O que tem na região mais quente do Brasil?
Calor o ano inteiro, natureza, litoral e até a Amazônia. O Norte e o Nordeste do Brasil são as duas regiões que mais preservam traços das populações originais que habitavam seus territórios. É comum encontrar vestígios da cultura indígena em qualquer estado nortista. Assim como é fácil descobrir a influência negra na culinária nordestina. É por isso que, para os desavisados, o dia a dia dessas localidades é cheio de situações interessantes.
Em termos linguísticos, as diferenças são bem marcadas. Em Manaus, para chamar atenção de uma criança os mais antigos certamente vão iniciar a frase com a expressão "curumim", fruto do legado indígena. No Nordeste, é provável que ele seja chamado apenas de "menino", explica a professora de Linguística Aparecida Negri Isquerdo, da Universidade Federal do Mato Grosso do Sul, uma das organizadoras do ainda inédito Atlas Linguístico do Brasil.
No Amazonas, se você comete um engano, não se espante se alguém reagir com um "tu é lesa?" ou com a exclamação de susto "égua!". No Nordeste, prepare-se para encontrar um povo "arretado" e para ouvir muito a expressão "é o cão chupando manga", que depois, com os movimentos migratórios, chegou até ao Sudeste.
Já quanto ao tratamento aos forasteiros, os nordestinos dão de dez a zero sobre qualquer outro povo brasileiro. Pelo menos é o que afirma o cineasta Geraldo Moraes, presidente da Coalizão Brasileira pela Diversidade Cultural. "Eles são muito sociáveis e permeáveis à presença das pessoas de fora, enquanto os nortistas são menos expansivos", defende.
Que delícia!

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No Norte, é comum encontrar prato à base de peixe, frutos e legumes, como o tacacá, uma espécie de caldo com camarão, ou a tapioca, feita com uma farinha de fécula da mandioca. E quem nunca ouviu falar no famoso pato no tucupi, também com um líquido retirado da mandioca e jambu, que tem efeito anestésico?
A abóbora ganha, no Nordeste, a denominação de jerimum, enquanto “mandioca” – ou “aipim” – vira “macaxeira”. Quer comprar inhame? Pois saiba que, na Bahia, ele é chamado de “inhambu”. O que eles chamam de inhame é conhecido em outros lugares como “cará”.
O Nordeste também é famoso por seus maravilhosos pratos: galinha à cabidela, também chamada de galinha ao molho pardo, moqueca baiana, vatapá, acarajé, sarapatel e uma infinidade de receitas derivadas dos escravos negros e dos portugueses. E cada uma mais deliciosa que a outra.
Por toda essa diversidade, dedique na sua agenda um tempinho para percorrer as maravilhas desse Brasil. Aproveite ainda para observar, você mesmo, as diferenças que compõem esta colcha de retalho nacional.

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Fotos: City Pictures
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