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Costumes típicos chamam a atenção de quem vem de fora

Você viajou para o Pantanal, no Mato Grosso do Sul, e está em sua primeira manhã no hotel. E, mal acabou de acordar, vem alguém lhe oferecer um quebra-torto! Fique tranquilo, porque isso nada mais é que o café da manhã. Na verdade, é "o" café da manhã, já que foi pensado para os peões se alimentarem bem. Por isso mesmo, é a principal refeição do dia.

 

Nela, você encontra mandioca frita, carne refogada, arroz de carreteiro, ou seja, comida para cavaleiro nenhum botar defeito. Como explica a professora de Linguística Aparecida Negri Isquerdo, da Universidade Federal do Mato Grosso do Sul, o "quebra-torto" seria derivado da expressão "torto de fome", que nada mais é o "roxo" ou "azul de fome" de outras localidades.

 

E que tal comer uma sopa paraguaia? Você já vai preparando a colher, até se deparar com... uma torta? Sim, apesar do nome, ela nada mais é do que uma torta assada à base de cebola frita, óleo, farinha de trigo e muito queijo ralado. E for pedir uma canjica, não se espante com o que for servido. "O que os sul-mato-grossenses chamam de canjica é o curau do Sudeste", explica a professora. Por lá, a canjica do Sudeste recebe o nome de mugunzá.

 

Quer outra curiosidade? O Rio Grande do Sul tem o chimarrão, que é um chá quente de erva-mate servido em uma cuia. Já o Centro-Oeste tem o tereré, que obedece ao mesmo processo de preparação, mas com água fria. Faz sentido. Enquanto o Sul é mais gelado, os estados do Centro-Oeste são bem mais quentes, e não tem nada melhor que uma bebida fria para refrescar. Além da erva-mate, os dois têm outra semelhança: são consumidos em rodas de amigos.

 

No céu das cidades, é muito comum você encontrar pipas, não é? Em Campo Grande (capital do Mato Grosso do Sul) ou em Cuiabá (capital do Mato Grosso), a molecada chama a isso de “pandorga”. "Isso se deve à fronteira com os países platinos, à influência da cultura paraguaia", afirma Aparecida.

 

Região da capital do Brasil

 

A Praça dos Três Poderes é um dos símbolos de Brasília

 

Nessas regiões, assim como em Goiás, as pessoas são conhecidas pela hospitalidade. Os goianos, tranquilos, mas bem comunicativos, costumam ser fãs de música sertaneja (duplas como Leandro e Leonardo e Zezé Di Camargo e Luciano são de lá, por exemplo). O jeito de falar, em Goiás, às vezes é parecido com o de Minas, inclusive no uso de “trem” para dizer “coisa” e no modo de cortar alguns sons das palavras (como “ansdionti” em vez de “antes de ontem”).

 

E Brasília? Bom, é uma mistura de várias culturas. Como se formou há pouco tempo e recebeu (ainda recebe, na verdade) muitos migrantes, nem sempre é possível encontrar um traço tipicamente brasiliense. Há gírias que podem soar engraçadas para quem é de fora, como “camelo” (bicicleta), “tomei um gol” (“peguei um ônibus”), mas é difícil detectar pronúncias exclusivas desse canto do Brasil. A capital federal é, nesse sentido, um bom resumo da nossa cultura!
 

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