Explorando sua própria cidade
Que tal dar uma de turista e conhecer lugares bem próximos de onde você mora?
Quando se pensa em fazer um passeio turístico, quais são as primeiras coisas que vêm à mente? Praias, campos, cachoeiras, uma viagem ao exterior. Qualquer destino pode ser tentador. Mas você já pensou em dar uma de turista na sua própria cidade? Correria do dia a dia, desinteresse e até falta de conhecimento são algumas das razões que podem nos levar a não explorar o local onde vivemos. Mas existem vários locais interessantes que muitas vezes estão logo ali. Que tal então descobrir os segredos escondidos pelas ruas e praças próximas de você?
O consultor de turismo Luiz Del Vigna, sócio da Nomad Brasil, diz que cada município tem uma peculiaridade. Descobrir a história e o surgimento do lugar pode ser o início de uma exploração bem marcante. Afinal, você vai adquirir conhecimentos sobre o local onde vive há tantos anos, o que torna seu passeio ainda mais proveitoso. O marco zero — geralmente uma praça e uma igreja — é um bom começo. “A partir de lá é possível escolher o que quer desbravar”, ressalta Del Vigna.
Na cidade de São Paulo, por exemplo, uma alternativa interessante é fazer a rota dos imigrantes italianos, que habitaram bairros tradicionais, como Brás, Bexiga e Mooca. As atrações são muitas: a arquitetura das fábricas que resistiram ao tempo, as residências operárias do início do século 20, as relíquias do Memorial do Imigrante... E, por incrível que pareça, em uma megalópole como essa é possível fazer o passeio a pé.
“Caminhada e transporte público são as melhores opções nesses tours”, recomenda o consultor. Evite, portanto, dirigir, para manter a atenção e os sentidos aguçados. Perceba as cores dos edifícios, o cheiro de uma banca de flores, observe o jeito das pessoas. Ficar atento aos detalhes é parte do passeio e será certamente uma experiência bastante enriquecedora.
Para deixar o roteiro mais interessante, combine atividades históricas às gastronômicas e culturais. No Rio de Janeiro, o pouco que restou do charme parisiense da Belle Epóque ainda pode ser visto em construções no centro antigo: o Teatro Municipal, a Escola Nacional de Belas Artes e o Palácio Monroe. Logo ali, fundada em 1894, localiza-se a Confeitaria Colombo, um bom descanso para o estômago — e também para os pés. No fim do dia, você pode assistir a um filme no mais tradicional cinema carioca, o Cine Odeon. Apesar de reformado por dentro, ele conserva características do prédio original na fachada, quando foi construído em 1926 e exibiu a primeira película sonora na cidade.
Se você conseguir juntar um grupo para conhecer o local onde vive, Del Vigna dá uma dica: contrate um guia. Ele vai traçar um roteiro e enriquecer o passeio com várias histórias — poderá mostrar o significado dos nomes das ruas, curiosidades sobre um determinado prédio e os principais monumentos. Mas é claro que fazer tudo sozinho e virar na esquina onde você bem entender também pode ser bastante prazeroso. Não importa qual a escolha. O ideal é conhecer aos poucos e explorar cada vez mais a beleza e história que a sua cidade oferece não só aos turistas mas também a você.





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