Arrastando multidões
Blocos de rua atraem foliões em várias cidades do Brasil
No Carnaval, enquanto muita gente segue para a avenida a fim de assistir aos desfiles das escolas de samba, outro grupo gosta mesmo é de aproveitar a festa nas ruas do País, saindo atrás dos tradicionais blocos de rua. Eles atraem milhares de foliões por onde passam, e é no meio dessa “muvuca” que o folião se diverte, entre uma marchinha e outra, uma bebida e outra e muita azaração.

No Nordeste, os destinos obrigatórios são Olinda e Recife, em Pernambuco, e Salvador, na Bahia. Eles atraem cada vez mais gente e se reinventam a cada ano, aliando novidades com tradição. Se estiver em Olinda, mesmo no espreme-espreme da multidão, não deixe de assistir ao encontro dos bonecos gigantes (que, de tão conhecidos, receberam o nome de bonecos de Olinda). A apresentação fecha o Carnaval na cidade. Por isso, reserve energia para o último dia da folia.
É de Recife o famoso bloco Galo da Madrugada, que deixa as ruas da cidade apinhadas de gente. Ele é considerado, pelo livro dos recordes, o maior bloco de carnaval do mundo e sai sempre aos sábados de Carnaval. O ponto de encontro se dá no bairro de São José, bem no centro da capital pernambucana. Se estiver pelas bandas de lá, você não pode perder essa!
Sob os encantos baianos

Basta lembrar a marchinha de Caetano Veloso, que entoava “Atrás do trio elétrico só não vai quem já morreu...”, para entender o que se passa nas ruas de Salvador (BA). Artistas e bandas consagradas como Ivete Sangalo, Chiclete com Banana, Claudia Leitte, Olodum, Timbalada e Asa de Águia atraem milhares de pessoas, principalmente jovens, que pagam por abadás – muitas vezes com parcelas a perder de vista – para se divertir na disputada folia do trio elétrico. Entre a corda e a “pipoca” – fila de pessoas que não pagaram para acompanhar os carros alegóricos – vale tudo. Menos briga.
Um pouco de história
As cidades históricas de Minas Gerais são a melhor expressão de carnaval de rua no Sudeste. Há dois principais redutos tradicionais: Diamantina e Ouro Preto. O melhor é que a folia acontece bem no meio dos sítios históricos. Dá até para descansar na frente da casa da escrava alforriada Chica da Silva, em Diamantina. Só que é preciso ter pique, porque as ladeiras exigem fôlego do folião. Entre as bandas que mais atraem adeptos pelas ruas das cidades estão a Bartucada e a Bat-Caverna, ambas em Diamantina, e os blocos do Caixão e da Ladeira, em Ouro Preto.
Em São Paulo, o tradicional Carnaval de São Luiz do Paraitinga foi cancelado devido à destruição causada pela enchente de 1º de janeiro. Mas quem prefere ficar na capital pode se divertir com os blocos da Ressaca, do Ó e o Barracão da Folia.
No Rio de Janeiro, após muitos anos de decadência e de falta de incentivos, o Carnaval de rua retornou com uma força ainda maior, arrastando multidões por todos os cantos da cidade. Não fique de fora de uma visita – e de uma folia – aos tradicionais blocos Cordão da Bola Preta, no centro da cidade, Simpatia é Quase Amor, em Ipanema, e Escravos de Mauá, na Praça Mauá.
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