A incrível vista da Chapada dos Guimarães
As formações rochosas remontam há milhares de anos e são um dos atrativos principais
Com uma vegetação densa e quedas d’água de tirar o fôlego, a Chapada dos Guimarães é um destino atraente em qualquer estação. Localizada no Mato Grosso, a 74 quilômetros de Cuiabá, apresenta clima bem mais ameno que o da capital. Mas, se você quiser ir no inverno, verifique a previsão do tempo. Por lá, costuma fazer frio apenas quatro dias por ano e você não vai querer enfrentar um clima gelado diante de toda essa paisagem natural.

Vista panorâmica das formações rochosas Foto: Júnia Belfort/Divulgação
O primeiro ponto turístico obrigatório é também o cartão postal do local: a Cachoeira Véu da Noiva. A queda, de 86 metros de altura, pode ser vista por uma incrível vista panorâmica dos paredões de pedra. Dependendo do ângulo, dá até para apreciar a formação de um arco-íris por causa da refração da água com os raios do sol. Ela faz parte do Circuito das Águas, um trecho nos arredores com várias quedas d’água provocadas pelas vias sinuosas do rio Sete de Setembro, que nasce dentro do Parque Nacional de Chapada dos Guimarães.
Chame um guia experiente e aventure-se na trilha. Ainda no Parque Nacional, você deve visitar a Casa da Pedra, uma pequena caverna escavada pelas águas. Em suas paredes, era possível ver inscrições rupestres, mas a visitação sem controle, antes de o parque ser tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) provocou o desaparecimento dos resquícios das pinturas. Mas se você gosta de arqueologia, pode visitar um dos 46 sítios arqueológicos da região.
Próximo de lá, ao longo do vale, está a cachoeira do Sonrisal. O nome engraçado remete mesmo ao efervescente para o estômago, porque a queda d’água provoca muita espuma. E atrás da cortina d’água está localizado um pequeno refúgio. Entre as cachoeiras, destaque para a do Pulo. Os mais corajosos podem arriscar um mergulho nas águas calmas do lago que se forma após a queda. Com 18 metros de altura, a das Andorinhas está próxima de lá. Também é conhecida como Cachoeira dos Malucos, porque costumava ser o ponto de encontro preferido dos jovens da década de 1980, quando aquela geração descobriu a paisagem.
Cachoeira das Andorinhas Foto: Júnia Belfort/Divulgação
Em toda a trilha, você fica em contato com uma vegetação exuberante, repleta de buritis, palmeiras que surgem apenas onde existe água em abundância. Ao chegar ao Mirante do Centro Geodésico, dá para ver toda a Planície Pantaneira. Uma paisagem que, com certeza, vai permanecer muito tempo em sua memória!
Entre história e misticismo
A Chapada dos Guimarães sempre esteve envolta de misticismo. A começar pela história de seu aparecimento: há 15 milhões de anos, quando surgiu a Cordilheira dos Andes, a região onde atualmente está localizada a Planície Pantaneira, afundou. Foi então que apareceu a borda da chapada com uma diferença de altura vertical de mais de 350 metros.
Sua vegetação, o cerrado, concentra uma das maiores variedades de plantas medicinais por metro quadrado. Só que há registros de vida muito antes da região ter o formato atual. Como o solo é de arenito sedimentar, há 500 milhões de anos e história acumulados nas suas rochas.

Formações rochosas da Chapada. Esta parece a crista de um galo Foto: Júnia Belfort/Divulgação
Reza a lenda também que Dom Bosco pregava que surgiria uma “civilização perfeita” no paralelo 15 graus sul. Por isso, locais alinhados como Brasília (DF), Porto Seguro (BA), o Lago Titicaca, na Cordilheira dos Andes, e a Chapada dos Guimarães seriam as regiões beneficiadas energeticamente. Se é verdade, não importa. Quando você chega lá é impossível não ficar encantado com essa magia que paira no ar da chapada.
Quando ir?
É melhor ir de abril a setembro, que é o período de seca na região. Lá faz apenas alguns dias de frio no inverno. Por isso, busque notícias sobre o tempo antes de viajar para não ser surpreendido por ele justamente nos dias que estará por lá.
Dicas para os viajantes
- Leve roupas leves e pelo menos um par de tênis confortável para caminhada. À noite, sempre esfria. Portanto, não esqueça o agasalho.
- Uma pequena mochila é indispensável para você levar água e lanche durante a caminhada.
- Fique pelo menos quatro dias na região, pois há muito o que visitar por lá. Se tiver tempo, o Pantanal é logo ali.
- Cuidado com os mosquitos de manhã e ao entardecer. Recomenda-se o uso de repelente, principalmente pelas pessoas alérgicas. Porém, é proibido tomar banho nas cachoeiras se você estiver com a substância no corpo. O mesmo vale para o protetor solar.
Como chegar
De carro:
Assim que chegar em Cuiabá, a capital, pegue a rodovia MT 305. São 64 quilômetros de rodovia asfaltada em bom estado de conservação. A BR 070 é outra opção para quem vem do sul do País. Prepare-se, no entanto, para encarar 70 quilômetros de terra – geralmente seu estado de conservação é razoável.
De ônibus:
O Expresso Rubi (65-3621-2188) ?e o Rápido Chapadense fazem a viagem em 1 hora nos ônibus convencionais. Há também os urbanos, que realizam o percurso em 1h30.
Informações no Terminal Rodoviário de Cuiabá, Engenheiro Cássio Veiga de Sá: (65) 3621-4523
Onde ficar
- Pousada Penhasco – fica a 2 quilômetros do centro e está próximo dos paredões da Chapada. Apartamentos com varandas. Tel.: (65) 3301-1555 e (65) 3624-1000; WWW.penhasco.com.br.
- Pousada Solar do Inglês – distante 200 metros da praça central, oferece chá da tarde, como é o costume inglês. Tel.: (65) 3301-1389; WWW.solardoingles.com.br.
- Pousada do Parque – está localizada na sede de uma fazenda de frente para o Parque Nacional de Chapada dos Guimarães. Tel.: (65) 3391-1346; WWW.pousadadoparque.com.br.
Onde comer
- Restaurante Morro dos Ventos – tem vista panorâmica para os paredões da Chapada. Tel. (65) 3301-1030.
- Nívios O Fogão Regional – fica na rua lateral da praça central. Serve grande variedade de pratos regionais, principalmente peixes e carnes, acompanhados de paçoca de pilão e farofa de banana. Não tem telefone.
- Bar e Restaurante Som da Oca – está bem no centro da Chapada dos Guimarães. Entre as maiores especialidades estão a picanha na chapa e os peixes. Tem som ao vivo nos fins de semana. Tel.: (65) 3301-3543.
Onde comprar
Nos fins de semana e feriados, a praça central fica apinhada de artesãos que vivem na região e expõem seus trabalhos. Há muito artesanato indígena por lá, como cestarias e cocares.
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