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Quem teve problemas como traumatismo craniano e lesão medular, após um acidente, doenças neuro-musculares ou sequelas de um derrame cerebral é, muitas vezes, encaminhado à sede da Associação de Assistência à Criança Deficiente (AACD). Apesar do nome, a entidade atende adultos, que são conduzidos a profissionais da área da saúde conhecidos como terapeutas ocupacionais. “Trabalhamos na melhoria da funcionalidade daquilo que está comprometido, para possibilitar a melhora da autonomia no dia a dia do indivíduo”, afirma a especialista da associação, Renata Cristina Verri.

 

Sempre que é possível, ela vai à casa do paciente para saber como e onde ele vive. “Dessa forma, proponho adaptações e facilidades, além de treinos diários, para que ele consiga fazer a maioria das coisas sozinho”, revela. A profissional de TO, como a Terapia Ocupacional é conhecida no meio técnico, explica que “é importante ver como é o ambiente em que a pessoa vive, para realizar treinos, propor adaptações e facilitações, para que a pessoa participe mais de sua vida e possa voltar a ser independente.

 

Surge uma campeã

 

Quando tinha 12 anos, Joyce Fernanda de Oliveira – hoje com 19 anos – foi atingida por fragmentos que despencaram do teto do ponto de ônibus, quando ela estava indo para a escola, na cidade de Jundiaí, no interior paulista. O acidente cortou sua medula e a deixou paraplégica. Joyce conta que, quando soube que não andaria mais, a primeira coisa em que pensou foi no futebol, que ela adora. Portanto, não poderia mais jogar.

 

Incentivada pelo professor de educação física, Joyce começou a jogar tênis de mesa, uma forma de praticar algum esporte e se animar. Atualmente, ela treina a modalidade três vezes por semana e já participou dos Jogos Parapan-Americanos Juvenis duas vezes. A primeira foi em 2007, na Venezuela, e a segunda, em 2009, na Colômbia, onde conquistou o ouro na categoria tênis de mesa individual.

 

“Depois do acidente, eu fiquei um ano sem sair de casa e me escondia, pois tinha vergonha. Mas depois que comecei a praticar um esporte, não paro mais em casa”, conta a atleta. Há quase sete anos, Joyce começou a fazer tratamento na AACD, onde conseguiu retomar sua vida com autonomia. “Lá, eles me ensinaram a tomar banho sozinha, a sair do carro, a me virar. Hoje, sempre que viajo para jogar, vou só”, comemora.

 

Atualmente, Joyce se prepara para os Jogos Paraolímpicos de Londres, em 2012, e também para a Paraolimpíada no Rio, em 2016. No futuro, a atleta gostaria de fazer faculdade de Educação Física, “para dar aulas de tênis de mesa para quem estiver começando no esporte.”

 

Terapia ocupacional: a profissão exige habilidade, persistência e otimismo

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