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Viver suas emoções pode ajudar a lidar melhor com as situações do dia a dia

As crianças têm uma capacidade de expressar os sentimentos de fazer inveja a qualquer adulto. Afinal, em apenas alguns instantes elas podem oscilar entre a tristeza e a irritação passageira, passando pela alegria contagiante. Com o tempo, porém, todo mundo acaba deixando a espontaneidade em segundo plano e se inserindo em uma realidade em que mostrar as emoções é algo negativo. Mas precisa ser assim?

 

A espontaneidade ajuda a tornar a vida mais leve, menos sisuda e, ao mesmo tempo, dá força para encarar as responsabilidades do mundo adulto, ressalta a psicóloga Danielle Carminatti, que atende nas cidades de São Paulo e Guarulhos. É só seguir o exemplo das crianças. Várias obras inspiradas nesses pequenos descobridores exploram a saudável oscilação emocional pela qual eles passam no dia a dia.

 

 

Uma das mais famosas é “O Mundo de Sofia”, de Jostein Gaarder, na qual a história da filosofia é narrada pelo olhar ingênuo de uma adolescente de 15 anos. Outro clássico é “O Pequeno Príncipe”, de Antoine de Saint-Exupéry, que questiona as coisas simples da vida através da pureza de uma criança.

 

Com o tempo, essa característica vai se perdendo, e a espontaneidade passa a ser apenas lembrança de uma época em que o receio de expressar suas emoções não existia, explica a conferencista comportamental Leila Navarro, autora do livro “A vida não precisa ser complicada”.

 

Alguns fatores contribuem para deixar as pessoas menos espontâneas, em especial o comportamento de pais que comparam os filhos com outras crianças, o que cria um sentimento de competição e concorrência.

 

“É um crime fazer essa comparação. Cada um é único e especial a seu modo”, afirma Leila. Para agradar, os pequenos começam a copiar o colega e a reprimir sua personalidade. Eles também podem exacerbar essa característica criticada para chamar mais atenção para si.

 

Postura corajosa

 

A pessoa que consegue preservar sua espontaneidade gera nos demais confiança e alegria, acrescenta a especialista. “É preciso ter coragem para ser você mesmo. Mas deve-se tomar cuidado com o excesso, para não ser uma coisa forçada, porque aí pode beirar a falta de educação”, ressalva a autora.

 

Quando natural, essa característica é saudável e pode ativar a criatividade para solucionar problemas do dia a dia, explica, por sua vez, Danielle. Sem espontaneidade, uma pessoa pode tornar-se insensível, fechada às emoções e viver a vida com menos graça e leveza, emenda a psicóloga e psicoterapeuta. Já Leila vai além e afirma que um adulto que reprime seu lado espontâneo é infeliz, tenso e deprimido. “Felicidade é usufruir das emoções”, atesta a autora.

 

Resgatar a espontaneidade ajuda a romper as conservas culturais que são padrões de comportamentos enrijecidos, tornando o ser humano automatizado, completa a psicóloga psicodramatista Camila Alvarez Rinaldi, da Sociedade de Psicodrama de São Paulo.

 

Psicólogas da Sociedade de Psicodrama de São Paulo exploram espontaneidade durante sessão

 

Dedique um tempinho do seu dia para fazer aquilo que gosta

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