Por que nos atraímos pelo outro?
O poder da sedução, muitas vezes inexplicável, é o primeiro passo para a relação
Você está numa balada e, de repente, começa a paquera. O coração dispara e a atração é inevitável. Mas existem vários homens e mulheres naquele mesmo espaço e, mesmo assim, você percebe que só tem olhos para aquela pessoa. Já se perguntou o que te levou a olhar aquela pessoa e não as outras que estão ao seu lado? O que é essa “química” afinal?
A analista de sistemas Andreia Simão, de 31 anos, conta um caso que exemplifica bem esta sensação. “Saí com um rapaz recentemente, que é bonito e meu amigos me deram boas referências dele, mas não sei explicar. Não consegui nem beijá-lo porque não rolou a tal química.”
Segundo a psicóloga Maly Delit, professora da PUC e supervisora da Faculdade de Medicina, na USP, isso acontece porque ela deve ter comparado essa experiência com alguma outra guardada em sua lembrança, que não foi tão agradável. E são os neurotransmissores que enviam a informação ao cérebro, causando essa “quase” aversão. “Pode ser, por exemplo, um cheiro ou um apertar de mãos”, explica.
Todas as referências de comportamento, na verdade, são moldadas ao longo da nossa vivência. “Conforme o momento, a cultura e o grupo social no qual se vive”, ressalta Maly.
Em geral, a paquera começa com o primeiro atributo, que é a beleza. “Mas o que é bonito para mim pode não ser para outras pessoas, porque o conceito de beleza também é aprendido ao longo da vida”, explica. Na década de 1960, por exemplo, os estereótipos viris eram homens loiros, altos, de olhos azuis, como Robert Redford e Paul Newmann. Hoje, esse gosto mudou.
Segredos para "se dar bem"
Depois de olhar – e talvez ser correspondido –, você fatalmente vai começar um jogo de sedução não verbal, cheio de olhares e gestos. Mas atenção: essa pessoa só vai corresponder a essa paquera se ela estiver disponível. No entanto, de repente, pode acontecer algo que não estava nos planos.
Quando a conversa começa, este homem ou mulher pode soar bem desinteressante. “Essa decepção acontece principalmente entre as mulheres, que, geralmente, gostam de um bom papo antes do 'algo a mais'. O homem, num primeiro momento, tende a olhar mais para a aparência. Só depois surge um interesse maior”, explica Maly. Se ele está interessado em curtir apenas uma noite, não se atém muito ao papo. “As mulheres, mesmo na paquera, buscam o ‘príncipe’ encantado”, enfatiza.
Por isso, as pessoas que não são modelos de beleza, muitas vezes brilham para os outros quando começam a conversar. É o que geralmente acontece quando o músico André Madi, de 33 anos, se envolve em uma paquera. Por ser um pouco tímido, ele prefere um bom papo primeiro. “Gosto de mulheres inteligentes. Isso para mim é uma característica muito sexy”, enfatiza.
Mas aí vai uma dica para quem gosta de “chegar junto” e conversar: ir muito ansioso pode não agradar, alerta Maly. “Uma pessoa com olhar firme e postura segura torna-se mais facilmente objeto de desejo”, avisa.





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