Namoro de verão pode durar?
Com um pouco de dedicação de ambos os lados, a relação pode se fortalecer e dar certo
Imagine a seguinte situação: você foi passar as férias na praia e uma pessoa despertou sua atenção. Vocês começaram a sair juntos todos os dias e o clima de romance foi inevitável. Porém, como infelizmente o período de descanso e lazer precisa acabar, surge a dúvida sobre continuar ou não o relacionamento. Namoros de verão têm mesmo prazo de validade? Nem sempre isso é verdade. Duas pessoas que se conhecem longe de suas casas podem, sim, seguir juntas. Se o sentimento realmente existir, ele ganha força para pegar a estrada.
Em 2007, o administrador de empresas Guilherme Galesi Olivares, 30 anos, de São Paulo, conheceu a advogada Maria Alice Leis, 31 anos, durante um curso de mergulho em Parati (RJ). Ele logo se encantou pelos belos olhos e o sorriso contagiante da advogada, que também mora na capital paulista. Ela, porém, ficou com um pé atrás. “Achei o Guilherme bonito, mas como ele usava cabelo comprido, pensei que era daquele tipo de homem que não quer nada sério”, conta.

O casal Guilherme e Maria Alice precisou de tempo para começar a sair. O que era amor de verão se transformou em um namoro que já dura três anos
Foram necessários alguns dias para o casal se entender. “Na volta para São Paulo, eu me ofereci para levá-la em casa e tentar quebrar o gelo”, conta Guilherme, que anotou o telefone da moça e fez marcação cerrada. Contudo, Maria Alice levou meses para aceitar o convite de um novo encontro. Para surpresa dela, o moço surgiu de cabelos curtos. “Parece estranho, mas esse pequeno detalhe me conquistou. Com o tempo, percebi que o Gui é um cara inteligente e bacana, e não nos desgrudamos mais”, conta.
Segundo o psicólogo Antonio Carlos Amador Pereira, professor da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP), o exemplo de Guilherme e Maria Alice demonstra que para um namoro de verão dar certo, é preciso que os envolvidos estejam dispostos a isso. “Evidente que muita gente só quer curtir o momento, porém, vale estar aberto para a possibilidade de algo mais sério”, explica. “No caso deles, foi como se, ao aparecer com um visual certinho, Guilherme tivesse tido a segunda chance de causar uma boa impressão.” O namorado apaixonado faz piada. “Foi amor à segunda vista", diverte-se.
Relacionamento a distância
A continuidade de um relacionamento de verão não depende tanto das circunstâncias do encontro, mas do perfil dos envolvidos. Aos 21 anos, a enfermeira Silvia Nunes não vê o menor problema em engatar um relacionamento iniciado durante uma viagem. “Já tive vários namoros de férias e alguns deram tão certo que duraram mais de um ano”, conta. “Acho que o segredo é assumir o que está sentindo, sem ficar pensando se vai dar certo ou não.” Moradora de Recife, Silvia já se acostumou a namorar a distância. “É melhor se encontrar a cada quinze dias e viver um fim de semana incrível do que ter alguém entediado e de cara amarrada ao seu lado”, explica.

A enfermeira Silvia Nunes não vê problemas em relacionamentos a distância
Há dois meses, Silvia namora um comerciante de 27 anos que conheceu em uma micareta. Ele vive em Feira de Santana, na Bahia, a 800 quilômetros de Recife, mas costuma pegar um avião e se hospedar em um hotel só para vê-la. “Eu brinco que o meu cupido é interestadual e que meus maiores aliados são a internet e o plano de longa distância da operadora de celular”, diz Silvia.
Para o professor da PUC-SP, as novas tecnologias realmente auxiliam os amantes de férias. “Se o que vocês viveram foi forte e os bate-papos na internet são agradáveis, pode valer a pena abrir a guarda e deixar o amor de verão se tornar algo mais sério”, analisa.
Existem casos, no entanto, em que o romance não dá certo. Foi o que aconteceu com o cirurgião-dentista Nicola Bempensante, de 34 anos. Há cerca de dois anos, ele achou ter conhecido sua cara metade em uma praia no litoral norte de São Paulo. “Foi muito legal durante um feriado. Até saímos após voltarmos para a cidade, mas o negócio não foi para a frente.” O ambiente, segundo ele, fez toda a diferença. “Na praia, estamos todos mais relaxados. Depois, você encontra uma pessoa diferente, mais estressada”, lamenta o dentista.
Quando isso acontece, a recomendação é não insistir. “Muitas vezes não vai dar certo. Não adianta forçar a barra e tentar alguma coisa com quem não tem valores compatíveis com os seus”, explica o psicólogo Antonio Carlos Amador Pereira.
O que importa é você saber exatamente o que quer: somente uma curtição de férias ou um relacionamento mais longo. E estar sempre aberto a novas experiências. Afinal, nunca se sabe quando o amor pode surgir...





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