Morar junto ou casar?
Veja as vantagens e desvantagens de cada tipo de relação
Há um momento na vida dos namorados em que viver juntos vira quase uma necessidade. Em outros tempos, era preciso casar para dividir o teto com o companheiro ou companheira. Mas a realidade, hoje em dia, é outra: é cada vez mais frequente os casais dividirem o mesmo teto sem passar pelas bênçãos religiosas ou por contratos de matrimônio. E, ao contrário de antigamente – até as décadas de 1970 e 1980 –, esse tipo de união tem sido aceito pela sociedade.
Segundo a psicóloga Karen Camargo, que atende adultos, adolescentes, casais e faz orientação profissional em São Paulo, os jovens que tomam esta decisão não são mais tão criticados pelos pais. “A cultura está mais flexível, além de a instituição do casamento passar por uma reavaliação. Hoje, nem todo jovem tem sonho de casar, pois muitas pessoas não acreditam mais nisso como um valor”, explica.
Segundo a especialista, muitos trazem o temor da repetição da separação dolorida dos pais ou simplesmente não acreditam que papel assinado faz alguma diferença na relação. “Os jovens estão saindo da casa dos pais para terem outras experiências. Eles podem estudar no exterior, fazer faculdade em outra cidade, morar com amigos. Antes, era mais comum o filho sair de casa apenas para se casar”, diz. Ela acredita que, casando ou não, o que importa é a satisfação de morar com quem se ama.
Os custos da união
Casamento, festa, compra ou aluguel de um imóvel para morar juntos. Tudo isso traz à tona a questão financeira. “Hoje, é certo que decidir por morar junto é mais acessível economicamente”, afirma Karen.
Saber como é a convivência antes de assumir um compromisso é outro ponto que motiva casais a viverem sob o mesmo teto. “Existem casais que preferem fazer uma experiência prévia, para saber se existe compatibilidade”, ressalta a psicóloga.

No caso da gerente-geral Renata Rodrigues, de 34 anos, de Salvador (BA), morar com o namorado não foi uma decisão e sim um acaso, pois aconteceu sem planejamento. “Já vivíamos sozinhos cada um na sua casa e passávamos muito tempo juntos. Fomos ficando um na casa do outro e, de repente, estávamos sob o mesmo teto.”
Ela aponta vantagens da relação, como a redução nas despesas mensais. “É uma casa para sustentar, não duas.” Além disso, Renata aponta que a decisão de morar com o companheiro, para ver se os dois dariam certo juntos, foi correta. “Está dando”, acrescenta.
Claro que também há pontos negativos numa relação informal a dois. “No começo, principalmente, pois qualquer discussão que tínhamos tornava-se um motivo para dizer ‘vou embora’. O fato de não assumir um compromisso para a vida toda, com a família formalmente envolvida, pode facilitar o desligamento”, acredita. Afinal, não existe aquele vínculo do casamento que, de certa forma, reforça o empenho de manter a união.
O título de marido e esposa também demora a aparecer nas palavras e na cabeça desse novo casal. A própria Renata admite que levou um tempo para eles dizerem aos amigos que são casados. “Parece que estamos nos apoderando de um título. E como não tivemos uma data de início, as pessoas foram descobrindo aos poucos”, reconhece a executiva.
Karen, a psicóloga, concorda. “O dia a dia na casa pode ser desafiante. Porém, faz parte da vida deste novo casal. Se para ambos o papel assinado não importa, que mal tem? Mas precisa ser de comum acordo, para não virar desculpa da acomodação.”





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