Amigos e irmãos também têm ciúmes
Familiares e amigos podem estimular comportamento ciumento no outro
Você já deve ter visto esta cena em algum lugar: uma criança pequena fazendo birra para chamar a atenção dos pais, que estão cuidando de seu irmãozinho menor. Pois é, o ciúme atinge até mesmo quem não tem idade suficiente para compreender esse sentimento, explica a psicopedagoga e orientadora familiar Geórgia Vassimon.
“Isso acontece com frequência. É uma situação que envolve disputa de território e afeto, nesse caso do mais velho em relação ao recém-chegado à família”, afirma a especialista. “E os pais acabam contribuindo para o problema, já que o menor exige mais cuidados. Isso faz com que deixem de lado o maior”, completa.
Para voltar a ter a atenção de antes, o primogênito pode querer imitar algumas ações do caçula, como mamar e fazer xixi na cama. “A solução para esses casos é valorizar o maior, explicar que já há coisas que só ele pode fazer, como passear em um parque de diversões”, recomenda Geórgia. Comparar os filhos também ajuda a estimular a ciumeira entre eles.
Aquele discurso de “por que você não é igual ao seu irmão?”, no qual alguns pais tentam impor um modelo de comportamento, é extremamente prejudicial, afirma Geórgia. “É bom deixar claro que cada um é bom em um aspecto, e que ser diferente é legal”, afirma.
Ciúme e atenção
Mas e quando o ciúme se dá entre outros membros da família, como nora e sogra? Nesse caso, pode haver uma disputa pela influência sobre o marido/filho em questão. “Ele tem que deixar claro que pode amar todo mundo. Mas muitas vezes é o objeto disputado que estimula essa competição, para se sentir valorizado”, afirma a psicopedagoga. O ciúme, no entanto, não é exclusivo do ambiente familiar. Amigos também podem expressar esse sentimento.
“É aquele caso de um amigo que larga tudo para viver em função do outro, não admite outras amizades”, ressalta, por sua vez, a psicóloga, pesquisadora e escritora Olga Tessari, autora do livro "Dirija sua vida sem medo - Caminhos para solucionar os seus problemas". Para ter a atenção exclusiva do outro, pode inclusive criar situações para mostrar que o terceiro elemento desse triângulo não é confiável.
E o que se diz de ciúmes do cachorro? Pois é, uma paciente de Olga não gostava que seu cãozinho fosse simpático com outras pessoas na rua. “Então, para não perder a atenção exclusiva dele, ela deixou de levá-lo para passear”, explica. Depois de procurar ajuda, a menina agora já consegue até deixá-lo na casa da irmã. “Hoje ela ri disso”, conclui a especialista.
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