Vocação para ser mãe
Depois de criar 13 filhos, aposentada abre creche no Acre para ajudar crianças carentes
Sem saber ler ou escrever, com 13 filhos para criar e desempregada. Tudo isso poderia fazer da aposentada Maria Reinalda Duarte, de 69 anos, somente mais uma das muitas brasileiras que sobrevivem com dificuldades no país. No entanto, ela superou todos os obstáculos e ainda encontrou muita determinação para ajudar várias crianças carentes no bairro de Jorge Lavocat, periferia de Rio Branco, no Acre.
Que tal conhecer um pouco da história dessa guerreira? Aos 8 anos de idade, Maria Reinalda já trabalhava como babá na casa de um juiz, onde conheceu seu primeiro namorado, de quem engravidou aos 15 anos. "Mas meu pai não gostava dele, tanto que o perseguiu e fez com que ele fugisse", conta. Os dois só retomaram o contato quando o bebê já tinha cinco meses de idade.
Nessa mesma época, ela conheceu o cearense Paulo Bezerra Silva, com quem ficou durante 12 anos e teve sete filhos nos seringais acreanos. Quando escolheu partir, ficou distante da família. Ao se separar, Maria Reinalda, com 27 anos e sem emprego, viu-se sozinha para cuidar de oito crianças. Mas ela não ficaria muito tempo nessa situação, pois logo em seguida passaria a morar com Alberto Nonato, em Feijó, interior do Acre.
Ambos tiveram nove filhos juntos, antes de se separarem, 18 anos depois. "Vivia longe da minha família e tinha muita saudade da minha mãe", lembra a aposentada. O destino tratou de mudar isso.
Na época, a aposentada morava com 13 filhos – quatro haviam falecido – em uma casa mantida por padres, e ela não tinha a menor ideia de como descobrir o paradeiro da sua família. Afinal, eles tinham perdido contato havia muitos anos e, sem ler ou escrever, Maria Reinalda não sabia o endereço da família nem se eles haviam se mudado da capital.
Reencontro emocionado
Uma senhora, cujo nome ela nunca ficou sabendo, comoveu-se com a história da antiga babá e conseguiu achar sua família. Após ganhar as passagens de volta para Rio Branco, Maria Reinalda reencontrou a mãe.
"Não parava de chorar, fiquei muito feliz", conta. De volta à capital acreana, batalhou para que os filhos aprendessem a ler e conseguissem emprego. Além dos 13 filhos, ela ainda adotou um menino, Eduardo, hoje com 10 anos, e está em vias de criar mais duas por adoção: Ana Luiza, de 11 anos, e Júlio César, de 2.

Mas isso não foi tudo. Depois de educar os filhos, a aposentada passou a lutar para que outras crianças não passassem pelas mesmas privações que ela. Começou então a percorrer vários programas de televisão até conseguir sensibilizar um executivo, que comprou um prédio para que ela pudesse, enfim, fundar a Creche Vida Nova.
Isso foi há 11 anos. Hoje, Maria Reinalda e sua amiga Teresinha tomam conta, sozinhas, de 28 menores. Elas têm o apoio de uma instituição e também aceitam doações, porque a creche atravessa dificuldades. "Eu preciso entrar com parte do dinheiro de minha aposentadoria para cuidar das crianças", conta. Mesmo com a luta diária, Maria Reinalda está realizada pela possibilidade de fazer, a cada dia, uma criança mais feliz e bem cuidada.
Fotos: Gleilson Miranda (Secretaria de Estado de Comunicação do Acre)





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