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Ter um filho já é um desafio. Imagine ter dois, três ou quatro de uma vez...

Quando passeia com seus quadrigêmeos e a filha Susan, de 15 anos, é comum a professora aposentada Eraci dos Santos Conceição Afuso, de 52 anos, ouvir as pessoas perguntando à adolescente se ela é a mãe das crianças. "A diferença de idade confunde, mas respondo logo que são meus", revela a moradora de São Bento do Sul (SC).

 

Fazia dez anos que Eraci tentava engravidar, antes de Ramirez, Pablo, Yasmin e Geovanna nascerem. "Já tinha recorrido a médicos de Curitiba (PR), de Joinville (SC), mas nada dava certo", conta. Em 2007, aos 49 anos, ela viu uma reportagem sobre um especialista em fertilização in vitro (técnica em que o óvulo é fertilizado pelo espermatozoide fora do corpo, e, depois, reintroduzido no útero). "Nessa hora, meu marido, Nelson, virou para mim e disse: olha aí a resposta para os nossos problemas", diz.

 

Pouco depois, a professora marcou consulta, fez todos os exames necessários e começou a tomar a medicação adequada para o procedimento dar resultado. Aos 51 anos, Eraci sabia que estava com idade de gravidez de risco, mas nem por isso desistiu. Dez dias após a fertilização, o primeiro exame revelou que tudo tinha dado certo. "Precisei ficar três meses internada na clínica com acompanhamento do obstetra, para não ter complicação", explica.

 

O resultado do primeiro ultrassom mostrou somente dois bebês, mas duas semanas depois, veio a surpresa: eram quatro. "Nossa, tive uma sensação de espanto misturada com alegria. Meu marido nem conseguia falar", lembra a professora. Os quadrigêmeos nasceram com sete meses e passaram outros 70 dias na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) neonatal do hospital.

 

A rotina da mamãe mudou bastante depois desses nascimentos. "Agora, fico o dia inteiro correndo de um lado para o outro, porque eles não dormem ao mesmo tempo", brinca Eraci, que diz ter ficado mais paciente, determinada e tranquila após dar à luz os quatro. Ela conta também com a ajuda do marido para dar mamadeira e trocar a fralda dos bebês.

 

Casa cheia

 

 

Aos 29 anos, a técnica em alimentos Kátia Cristina Ferreira Ramos, de São Paulo (SP), pensou em encomendar um irmãozinho para os filhos Flávia Cristina, que na época tinha 11 anos, e Leonardo, com 6. Depois de dois anos de tentativa, ela tomou uma decisão que surpreendeu seu médico e sua família: queria induzir sua ovulação.

 

"Todo mundo achou que eu podia engravidar sem esse procedimento, mas eu estava cansada de não conseguir", explica. Aos 32 anos, o método foi bem-sucedido, e, quando Kátia fez o ultrassom, veio a surpresa: ela estava esperando quatro bebês. "Meu marido, Fernando, ficou em estado de choque", brinca a mamãe, que diz ter ficado desesperada, insegura e, ao mesmo tempo, feliz com o resultado. "Tinha feito um plano de vida para cinco pessoas e acabei refazendo tudo para incluir outras três", conta.

 

Heitor, Heloísa, Daniel e Benício nasceram no sétimo mês de gestação. Com exceção da menina, os outros três ficaram entre 35 e 45 dias na incubadora. Depois, eles receberam alta para irem, saudáveis, para casa. Helô, como é carinhosamente chamada pela mãe, exigiu mais cuidados. “Ela teve de passar por duas cirurgias, pois nasceu com obstrução do ventrículo direito do coração”, lembra a mãe. Hoje, aos 10 meses de vida, ela e os irmãos são bem saudáveis.

 

 

Com a chegada dos quadrigêmeos, a família teve de se adaptar ao apartamento de 75 metros quadrados que, mesmo com três quartos, ficou pequeno para tanta gente. Resultado: os pais dormem em um cômodo, os filhos mais velhos, hoje com 15 e 10 anos, respectivamente, dividem outro, e os quadrigêmeos ficam juntos.

 

Atualmente, a rotina de Kátia gira em torno dos seis filhos. Trabalhar? Só daqui a cinco anos, quando as crianças estiverem maiores. "Antes, eu fazia academia, ia ao shopping, saía com meu marido. Hoje, não faço nada disso", afirma a mamãe, que recebe a ajuda de uma babá para cuidar da prole.

 

Apesar do desafio, a família está muito feliz. "Vale a pena", conta Kátia, orgulhosa, antes de descartar aumentar a família no futuro. "Parei por aí", garante.

 

Fotos: Niels Glogowski

 

Vocação para ser mãe

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