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Mães modernas tentam conciliar carreira, cuidados pessoais e criação dos filhos

Todos os dias da semana, Juliana Pederzoli, de 38 anos, gerente de marketing de uma empresa especializada em tecnologia da informação, acorda seu filho às 6h30. Felipe, que tem dois anos e dez meses, toma café da manhã com os pais e segue para a escolinha, onde permanece meio período. À tarde, ele fica sob os cuidados de uma babá. “Nós tentamos chegar em casa mais cedo para ficar com nosso filho pelo menos umas duas horas antes de ele dormir.”

 

Engana-se quem pensa que Juliana fica triste de deixar Felipe para ir trabalhar. “Amo muito meu pequeno, mas gosto da minha profissão e não tenho perfil para cuidar apenas da casa”, afirma. Ela acredita que, estando bem consigo mesma, passa mais tranquilidade para seu filho. “Nos fins de semana e nos feriados, sou 100% dele”, brinca.

 

A gerente de marketing representa bem o perfil das mães desta década. Desde que conquistaram a liberdade sexual, nos anos 1960, cada vez mais elas se desvencilham do papel exclusivo da maternidade. “As mulheres estão mais independentes e aos poucos liberam a culpa de deixar os filhos sob cuidados de terceiros para ir atrás da sua independência financeira”, comenta a psicóloga especializada em coaching Paula Schurt.

 

Classe social

 

Na verdade, segundo pesquisa da Fundação Carlos Chagas, a migração em massa do público feminino para o mercado ocorreu mesmo com as classes média e alta. “A mulher pobre sempre trabalhou por necessidade, desde os tempos mais remotos”, afirma a pesquisadora da fundação Maria Rosa Lombardi. Atualmente, 52% das brasileiras são economicamente ativas. Entre 30 anos e 49 anos, esse número sobe para 73%. “A sociedade não cobra mais tanto, o companheiro em geral está mais compreensivo e há o apoio de creches, babás e terceiros para dividir a tarefa”, explica Maria Rosa.

 

Para a psicóloga Paula, a decisão entre cuidar mais do filho ou seguir carreira é uma questão pessoal. “Há mães que não se identificam em cuidar tanto da criança, ou que não conseguem administrar a carga horária, e também existem as que anseiam viver a maternidade plenamente”, comenta.

 

A jornalista Daniela Nakayama Nunes, de 34 anos, decidiu parar de trabalhar um tempo, mas está voltando ao mercado. “Há 15 anos, nem passava pela minha cabeça a possibilidade de dar um tempo na minha carreira, mas quando me descobri grávida, revi meus conceitos”, admite. Quando sua filha Natália completou um ano, a mãe não se viu preparada para deixá-la. “Acho que foi a decisão mais acertada que tomei”. Agora que a menina completou dois anos e meio, a jornalista se diz “pronta para voltar à ativa”.

 

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