Pé na estrada com a família
Saiba como é a vida de quem se aventura pelo Brasil, sem morada fixa
Uma vida sem rotinas e uma profissão que te permita viajar para vários cantos do mundo. Esse é o sonho de muita gente, principalmente de quem gosta de conhecer novas culturas e países e não é muito adepto à rotina dos escritórios. Esse cenário, em geral, se adapta ao perfil de uma única pessoa: o próprio viajante. Mas e quando ele é casado e/ou ou tem filhos?
No caso do turismólogo Marcello Maestrelli, de 40 anos, ele resolveu levar toda a família “a tiracolo”. Esse aventureiro sempre soube que passar a vida engravatado não era a dele. “Formei-me em turismo e fui trabalhar em uma agência de viagens. Se eu passei três meses sentado de frente a uma mesa, foi muito. Logo tornei-me guia turístico”, lembra o paulistano.
Como sempre gostou de viajar, decidiu, em 1999, criar um site voltado para o turismo ecológico, o Ecoviagens. Seis anos depois, conheceu a designer gráfica paulistana Lyanne Rehder, hoje com 35 anos. Ou melhor, reconheceu, já que eles estudaram juntos na antiga quinta série do Ensino Fundamental. Graças a uma festa de ex-alunos do colégio, reencontraram-se, apaixonaram-se e, em novembro de 2005, passaram a morar juntos em Florianópolis, onde Marcello vivia.
Lyanne, desempregada na época, sempre compartilhou da mesma paixão que o companheiro pela natureza. Ambos, então, tiveram a ideia de montar uma empresa que oferece consultoria on-line para pequenos hoteis e pousadas Brasil afora, no mesmo ano.
Novas situações todos os dias
Na prática, eles viajam – sempre em seu trailer – a convite desses lugares. Ficam, em média, três dias em cada estabelecimento e apresentam a solução de marketing adequada para cada situação. De viagem em viagem – eles já perderam a conta de quantas foram –, Gael nasceu. Hoje, ele está com oito meses. O novo integrante da família já começa a entrar no ritmo dos pais e a fazer pequenas viagens para acompanhá-los em seu trabalho. “No fim do mês, vamos ficar três dias em um hotel em Foz do Iguaçu e ele vai junto”, conta a orgulhosa mamãe.
Lyanne quer que o filho participe das viagens dos pais até a idade escolar, quando as “aventuras” de mãe e filho terão de ficar para os fins de semana e férias. Então, os dois voltarão a montar “acampamento permanente” na casa deles em Florianópolis. Mas, enquanto isso não acontece, a família pretende continuar na estrada, com o trailer recém-comprado.
“Só vejo vantagem nessa vida, e a melhor delas é poder compartilhar bons momentos, descobertas e superações com quem você ama, no meu caso, marido e filho”, completa a paulistana. Marcelo, Lyanne e Gael, na verdade, sempre podem retornar para a residência fixa. Mas, e quando isso não acontece? Quando os pais precisam mudar-se definitivamente para outro lugar e levar consigo os filhos?
De acordo com a psiquiatra da Infância e Adolescência Ivete Gattás, assistente da Unidade Psiquiátrica da Infância e Adolescência da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), a adaptação é o principal. Sem isso, as pessoas que precisam estar viajando constantemente podem ter problemas nos locais de destino. Para ela, amizade, companheirismo e muito diálogo entre os integrantes da família viajante são fundamentais. "Somente compreendendo e desabafando sobre suas inseguranças e incertezas é que os indivíduos se fortalecem e são capazes de vivenciar a experiência com harmonia e prazer."





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