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Psiquiatra diz que o importante é acompanhar os filhos

A maior parte das crianças passa mais de 6 horas por dia em frente à televisão e ao computador. Essa é a conclusão de pesquisa da psiquiatra Nina Rosa Furtado com alunos de uma escola de Porto Alegre. O estudo foi publicado em seu livro Limites — Entre o prazer de dizer sim e o dever de dizer não.

 

“O mais preocupante é que eles ficam sozinhos. Na maioria das vezes, não têm um adulto do lado”, alerta Nina. A especialista prefere não recomendar uma quantidade máxima de horas que as crianças possam ficar em frente aos aparelhos. “O tempo vai de cada um, o importante é que haja um acompanhamento, alguém explicando se isso que passou na novela é bom ou ruim. Jogar videogame ou acessar a internet não faz mal. O mau é receber tanta informação sem um adulto para ser referência desse conteúdo.”

 

A pesquisadora da PUC-RS sugere que o computador não fique no quarto da criança, mas na sala. Assim, os pais podem participar e interagir. "De qualquer forma, não é bom que todo o tempo livre dos pequenos seja ocupado dentro de casa", aconselha a psicóloga infantil Maria de Lourdes Pereira Pinto. “Se pensar nas coisas mais felizes que fez dos 8 aos 12 anos, você não vai se lembrar de momentos em que estava entre quatro paredes”, diz.

 

Regras x Criatividade

 

Mas o que fazer quando seu filho não aceita sair da internet ou não acata os limites que você estabelece? Explicar a restrição repetidas vezes. Essa é a recomendação para que a imposição de regras não se torne barreira à criatividade. “Não pode falar um ‘não’ gratuitamente. Isso tende a tornar a criança mais agressiva, porque não entende a bronca, ou, ainda, mais submissa”, afirma Maria de Lourdes. Convidá-la para atividades externas e mostrar que ficar muito tempo em casa pode causar obesidade e problemas à saúde são algumas das sugestões dadas pela especialista.

 

Embora as reações possam ser diferentes, o hábito de explicar deve ser usado inclusive com bebês, recomenda a psicóloga infantil. “Mesmo que não entenda direito, o bebê percebe que existe uma razão para que não faça isso ou aquilo”, esclarece Maria de Lourdes. “Até cerca de três anos, a resistência a regras vem de forma aleatória. Não tem uma razão, é mais uma necessidade de se autoafirmar. A partir dessa idade, a criança aprende a refletir por que não quer ou não gosta de alguma coisa”.

 

A professora Gabriela Vieira percebeu que dar explicações frequentemente funciona com sua filha de 1 ano e 9 meses. “Se eu só digo 'não' ou tiro a mão dela de algum lugar, ela geralmente chora. Se eu explico, ela obedece com mais facilidade. Não sei se ela entende exatamente o que eu digo, mas entende que fez algo errado, que não deve ser feito de novo”. Ela destaca que olhar no olho é fundamental. “As crianças são dispersas, e às vezes acho que fazem que não estão entendendo. Resolvo isso dizendo, antes de qualquer bronca: olha pra mamãe. E dou a explicação olhando para ela.”

 

O veterinário Carlos Olympio dos Santos conseguiu estabelecer regras para que seus três filhos não ficassem muito tempo vendo TV. Fez um trato: assistir à televisão só está liberado entre as 17h e o jantar, e apenas para quem já fez a lição de casa. Funcionou. “Se, em um domingo, estou assistindo a um jogo de futebol à tarde, meu filho mais velho passa por mim e diz, brincando: ué, e o trato?”.

 

Para conquistar a confiança das crianças, avalia Santos, é importante ser coerente e não ceder a manhas. “Meus filhos já sabem que, quando digo não, é não. Posso mudar de opinião se eles me convencerem de que estou errado, mas não se eles começarem a chorar.”

 

Sem limites a criança sofre mais

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