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Filhos crescem, começam a trabalhar, porém resistem em deixar a casa dos pais

Sair de casa, afastar-se do controle dos pais e assumir novas responsabilidades. Por algumas gerações, esse foi o ideal dos jovens brasileiros para mostrar independência – até mesmo financeira – e autoafirmação. Mas essa é uma tendência que vem se modificando. Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), mais de 8 milhões de brasileiros, entre 25 anos e 40 anos, moram atualmente na casa dos pais. Eles são conhecidos como a geração canguru, segundo os especialistas.

 

De acordo com a psicóloga e consultora de imagem Mara Pusch, de São Paulo, não existe uma idade determinada para que os filhos se mudem. Porém, é preciso que haja um amadurecimento por parte deles. “Não há uma regra. No entanto, quando o jovem termina os estudos, começa a trabalhar e se sustentar, espera-se se que ele queira liberdade e independência, sem ter de seguir regras impostas pelos pais”, afirma.

 

Mara lembra também que o conforto representa um papel importante para essa permanência. “Tem sempre uma pessoa organizando a casa, além de roupa lavada e passada e da comida feita. Graças ao afeto dos pais, cria-se uma situação de comodismo”, enfatiza.

 

Sem planos de sair de casa

 

É exatamente essa realidade que vive o policial militar Patrick Ferraz, de 30 anos, que mora no Rio de Janeiro. Há oito anos, ele trabalha na corporação. Apesar disso, ainda vive com os pais e a irmã mais nova, de 20 anos. “Em casa, tenho segurança econômica, comodidade e afeto 24 horas por dia”, diz.

 

Por enquanto, Patrick não traça qualquer plano de ir atrás do seu próprio espaço. “Às vezes, até existe a questão da falta de privacidade, mas gosto muito do meu lar e lá encontro tudo que preciso. Portanto, não tenho de procurar outro lugar.”

 

Para alguns especialistas, esse tipo de comportamento não é o ideal. A psicóloga Olga Inês Tessari, de São Paulo, autora do livro Dirija sua Vida sem Medo, acredita que o indivíduo deve buscar mais liberdade. “O jovem necessita fazer o que lhe convém, sem se submeter a regras com as quais não concorda.”

 

Por isso, ela defende a importância de se distanciar um pouco do lar e da influência direta dos familiares para o amadurecimento da pessoa. “Sair da casa dos pais é a chance de ter seu próprio espaço, com independência e individualidade, de aprender a lidar com situações conflitantes, melhorar a autoestima e crescer ainda mais”, afirma.

 

Mara Pusch completa dizendo que a experiência é importante também para criar uma “outra rotina”. “O fato de morar sozinho dá a possibilidade de construir uma nova vida, de arriscar mais e sair desse comodismo”, conclui.

 

Morar sozinho exige independência

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