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Por Fabiano Caxito, do blog Acelere Sua Carreira

 

Ratatouille é um filme especial para todos aqueles que, como eu, são (ou acham que são!) cozinheiros amadores. Apesar de ter assistido ao filme quando de seu lançamento, Ratatouille ganhou um sabor especial para mim quando, após anos longe das panelas, voltei a cozinhar diariamente para meu filho Theo. Para minha surpresa, ele se apaixonou pela culinária, e sempre me acompanha ao fogão, enquanto cozinho.

 

Como todos os desenhos da Disney e da Pixar, Ratatouille é um filme delicioso, divertido para as crianças e profundo para os adultos. Filosofia e lições de vida traduzidas em linguagem simples e direta, com um desenho perfeito, temperado com doses de comédia e ação.

 

A mensagem central do filme é o lema do famoso Chef Gusteau: “Qualquer um pode cozinhar”.

 

Traduzindo, qualquer um pode realizar coisas maravilhosas, pode ser um artista, ser bem sucedido e alcançar seus sonhos. Mesmo um rato! Rémy (o rato) simboliza alguém simples e pobre, que sofre preconceito e perseguição, para quem as chances de aprendizado e aceitação social são negadas. Mas que assim mesmo realiza seus sonhos, contra tudo e contra todos.

 

O que diferencia o filme de outros desenhos que também trazem lições é que em Ratatouille a mensagem não está apenas diluída no enredo.

 

O recado é dado diretamente, por meio do magistral texto escrito por Anton Ego em sua última coluna como crítico culinário. Ego começa seu texto falando sobre o papel do crítico: “Em muitos aspectos, o trabalho de um crítico é fácil. Nós arriscamos muito pouco quando analisamos aqueles que oferecem seu trabalho ao nosso julgamento. Prosperamos na crítica negativa, que é divertida de escrever e de ler.”

 

É realmente fácil criticar o trabalho de outras pessoas. Fazemos isso com muita frequência. É mais simples (e até divertido) falar mal das pessoas, julgá-las de acordo com os nossos valores. Mas não percebemos como nossas críticas, por vezes uma simples palavra, um gesto (ou a falta de uma palavra e um gesto) atingem a outra pessoa.

 

No livro “O Pequeno Príncipe”, Saint-Exupéry diz que “tu te tornas eternamente responsável por aquilo que cativas”. Parafraseando o grande autor, eu diria que “tu te tornas eternamente responsável por aquele que criticas”, pois uma crítica sem fundamento pode mudar toda a vida de uma pessoa, e até mesmo fazê-la desistir de seus sonhos.

 

Anton Ego continua sua coluna dizendo: “Na noite passada, eu experimentei algo novo, uma refeição extraordinária de uma fonte singularmente inesperada. Dizer que tanto a refeição e seu criador desafiaram meus preconceitos é uma simplificação. Eles abalaram a minha fé.”

 

Até que ponto estamos preparados para mudar nossos conceitos e paradigmas? Qual a última vez que nos permitimos mudar nossa opinião sobre algo ou alguém? Quando nos deixamos nos surpreender? Se abandonarmos nossos preconceitos (gosto muito desta palavra: pré / conceito, ou seja, um conceito que temos antes de conhecer algo), sentiremos como as mais simples coisas podem ser maravilhosas, como as pessoas mais comuns são extraordinárias.

 

E Anton Ego fecha seu texto: “No passado, nunca fiz segredo do meu desprezo pelo famoso lema do Chefe Gusteau: 'Qualquer um pode cozinhar'. Mas percebo que só agora eu consegui realmente entender o que ele quis dizer. Nem todo mundo pode se tornar um grande artista, mas um grande artista pode vir de qualquer lugar.”

 

Ouça as palavras de Anton Ego. Antes de julgar alguém por sua origem ou aparência, antes de criticar e demonstrar preconceito, lembre-se que não importa de onde viemos, e sim aonde conseguimos chegar!

 

*Fabiano Caxito é Doutorando, Mestre em Administração Estratégica e autor de alguns livros, como "Não Deixo a Vida me Levar, A Vida Levo Eu!", da Ed. Saraiva.

 

5 comentários nessa matéria

  • ANA PAULA RAMOS ROTA

    ANA PAULA RAMOS ROTA

    Texto perfeito!!! Adorei...

    Responder - 27 de junho às 16:22
  • Fernando  Cordoba

    Fernando Cordoba

    Muito bom texto,lembrando de quem somos e quebrando velhos paradigmas,podemos atingir os objetivos pessoais e profissionais

    Responder - 25 de maio às 08:57
  • DEBORA MACHADO

    DEBORA MACHADO

    Eu até tento gostar de cozinhar,mas não consigo fazer comida com criatividade.

    Responder - 09 de maio às 21:10
  • ERIKA ROCHA

    ERIKA ROCHA

    Excelente texto! Quando chegamos lá e olhamos para trás e vemos de onde viemos, podemos atestar a magnitude de nosso talento.

    Responder - 11 de julho às 19:36
  • KELIN DA SILVA

    KELIN DA SILVA

    Eu adoro ver e rever Ratatouille, meu filho de 2 anos e 5 mese é apaixonado pelo filme. E como uma característica desta fase não se satifaz em ver uma vez, ele olha todos os dias, sabe as falas de cor. O ratinho cozinhero (Remy), ele chama pelo próprio nome do filme, uma figura. Quando vou cozinhar ele sempre me diz: "Mãe pq o Ratatouille não vem te ajudar, eu queria que ele viesse." Ele nem sonha que na vida real se eu visse um rato na cozinha eu daria um super grito e pegaria uma vassoura. A mensagem passada pelo texto, com certeza ele ainda não entende, mas este filme divertido e emocionante ensinaram o amor pela culinária ao meu filho também. Adorei o texo, parabéns!

    Responder - 29 de junho às 15:10