Será que tenho leite para meu bebê?
Saiba mais sobre os primeiros momentos da amamentação
Se você é uma mamãe de primeira viagem, deve estar se perguntando sobre os cuidados necessários para amamentar corretamente o seu bebê. Na verdade, essa é uma dúvida muito comum, principalmente quando ouvimos por aí histórias de mães que não tiveram leite suficiente para seus filhos. Segundo especialistas da Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP), isso tudo não passa de mito. “Quase todas as mulheres têm produção láctea. Apenas de 1% a 2% delas podem apresentar alguma alteração devido a problemas na hipófise, a glândula que estimula a prolactina [o hormônio do leite]”, afirma a médica Maria José Mattar, membro do Departamento Científico de Aleitamento Materno da SBP.
Até mães que apresentam desnutrição leve produzem leite com as composições necessárias para o seu neném, complementa o presidente da SBP, Luciano Borges, que também é coordenador do curso de Medicina da Universidade Federal do Triângulo Mineiro, em Uberaba (MG). O que ocorre, muitas vezes, é a falta de estímulo correto, seja por parte do bebê ou da mãe. Por isso, é importante que a mãe procure orientações sobre essa prática – que é instintiva, porém, deve ser aprendida – antes mesmo de dar à luz.
“Ela deve visitar um pediatra especializado em aleitamento ou ir a grupos de apoio à amamentação para começar a ter conhecimento do assunto”, esclarece Maria José. Porém, não basta só orientar. É preciso apoio profissional nas primeiras mamadas, principalmente nas 24 horas seguintes ao nascimento do filho. “Muitas vezes a mãe está ansiosa, ou o bebê é sonolento ou até mesmo prematuro; daí a importância da ajuda”, ressalta.

Avalie a amamentação
Um dos maiores traumas que podem ser ocasionados por causa de erros de técnicas são os machucados e até fissuras nas nos bicos dos seios. O ideal é que a criança “abocanhe” toda a auréola da mãe e não apenas os mamilos.
Borges, da SBP, afirma que é normal um certo desconforto por parte das mamães na primeira semana. Porém, após esse período, se a dor e os machucados persistirem, é hora de avaliar novamente o que está errado na amamentação. “A enfermeira da maternidade, o pediatra ou os profissionais do banco de leite têm de mostrar como é a pega [mamada] do bebê, até porque a sucção incorreta pode causar menos produção de leite por parte das mães”, adverte.
Quanto mais o bebê mama, mais a produção de leite da progenitora é estimulada. “Até mães adotivas que nunca amamentaram podem receber um estímulo – pela sucção do bebê no peito e também com uso de remédios indicados pelo médico – e produzir leite”, relata Borges.
De mãe para filho
No primeiro mês, é normal o neném não ter hora para pedir o alimento, já que é o período em que ele está se acostumando com a vida do lado de fora da barriga da mãe. “Antes de nascer, ele recebia alimento continuamente e sem fazer esforço, por isso, até se adaptar às mamadas, ele vai se alimentar em ritmos não definidos”, explica Maria José. A partir do segundo mês, ela garante que esse ritmo vai se equilibrando. É nessa época também que a mãe, em geral, adapta sua produção de leite às necessidades do seu filho. “Depois disso, só deve existir o prazer e o estreitamento do vínculo entre mãe e bebê.”
Foi isso que aconteceu com Renata Vogt. Aos 35 anos, ela acaba de ser mãe de Carolina, hoje com três meses. Ela confessa que chegou a sentir um pouco de dor no início porque Carolina gostava de mamar muito. Na verdade, ainda gosta. “Comprei um bico de silicone para proteger meus seios, mas logo o descartei porque fiquei com receio de ela não se acostumar.” Na verdade, Renata gosta desse contato direto. “É uma relação muito prazerosa e também sei que ela adora o meu colo quando estou dando de mamar”, conclui.
O leite da mãe é o único alimento indicado até os 6 meses de vida





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