Portal Vital

350 Matérias - 113 Likes - 1171 Comentários RSS

Relacionados

Todos os assuntos

É fundamental a participação dos pais desde que a proteção não seja extrema

Até os três anos de idade, a pequena Tainá — que hoje está com quatro — chegava à escola chorando. “Era muito difícil cortar esse vínculo com ela”, lembra a mãe, Renata Costa. Só quando nasceu Juliana, de um ano e três meses, é que a despedida entre mãe e filha mais velha, durante o período escolar, ficou mais amena.

 

“Percebi que eu mesma ia para o trabalho chorando porque não lidava bem com a distância da Tainá. O nascimento da minha segunda filha me deixou mais segura e, então, comecei a encarar essa situação de forma mais tranquila”, revela. Na opinião da psicóloga Beatriz Belluzzo, presidente da Associação Brasileira de Psicologia Escolar e Educacional (Abrapee), é fundamental a participação dos pais em todas as fases de aprendizado das crianças. Mas tão importante quanto isso é não criar essa dependência dos filhos, porque não faz bem para o desenvolvimento deles.

 

“Quanto menor ele for, é natural essa ligação forte com os pais. Aos poucos essa ligação vai diminuindo, e ele cria mais autonomia, mas a participação dos progenitores deve ser contínua”, explica Beatriz. O segredo é saber dosar. Na educação infantil, por exemplo, às vezes os adultos têm de entrar com a criança dentro das salas de aula durante o período de adaptação. “Dessa forma, a criança adquire mais confiança na nova realidade porque percebe que os adultos confiam”, comenta Beatriz.

 

Se o filho é único, a quebra desse elo pode ser mais complicada. “Por isso, cabe aos pais criar situações de convívio coletivo com outras crianças”, ressalta a psicóloga. Nesses casos, existem alguns mecanismos de adaptação, como convidar os amiguinhos do bairro para brincar com ele e sempre manter um diálogo dizendo que ele vai ter de saber dividir com os outros. “E, quando ele começar a ir para a escola, é importante perguntar como foi o seu dia, o que ele fez, mostrando que você está interessado no seu novo universo”, enfatiza Beatriz.

 

Quando os filhos crescem

 

Aos poucos, as crianças vão ficando mais velhas, aumentando seu convívio social e criando grupos de amigos. O que antes era partilhado com os pais, agora é confidenciado aos colegas da mesma idade. “Começam a existir os segredinhos”, comenta a psicóloga. Por isso, o respeito é fundamental, principalmente a partir dos 11 anos de idade. Mas isso não significa displicência. Beatriz indica que é sempre bom olhar o caderno, conferir se o seu filho está indo bem nas atividades escolares, ficar atento às bolsas, lancheiras e amigos e ver se ele apresenta um sono tranquilo.

 

“É importante não invadir demais o espaço para que você viabilize uma situação em que a criança adquira confiança em você e partilhe de sua confidencialidade. Essa atitude vale para a vida inteira, porque o sentimento de proteção dos pais tem de se transformar em parceria quase de igual para igual”, afirma a psicóloga. Sem esquecer, é claro, que há momentos em que é preciso impor limites, independentemente da idade que seu filho tenha.

 

Atitudes como essas criam autonomia e trazem um ambiente propício para transformá-lo em um adulto mais preparado. “Se você quer superprotegê-lo, sem querer acaba não criando condições necessárias para que ele, de fato, cresça”, alerta Beatriz.

 

Quando filho precisa de ajuda

0 comentário nessa matéria