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Quem tem quer um lançamento, quem não possui quer adquirir um o quanto antes

Victor, de 17 anos, Lucas, de 13, e Flávia, de 11, são três irmãos que vivem em São Paulo. Em comum, cada um tem seu celular pós-pago, todos com planos econômicos. Mas desde que Victor começou a namorar, a conta tem sido motivo de preocupação da mãe, Elaine Santos, porque o valor pulou de R$ 39 por mês para quase R$ 200. “Vivo explicando para ele que serviços como torpedo não estão incluídos no pacote”, comenta.

 

Mas é a caçula Flávia quem está sempre de olho nos lançamentos. “Ela pesquisa preços e manda para o pai por e-mail, para ver se consegue ganhar de presente”, diverte-se Elaine, que, na maioria das vezes, não liga para os pedidos da menina.

 

Sua preocupação, na verdade, não é com o modelo de última geração, e sim com a segurança dos seus filhos, que passam muitas horas fora de casa. “Peço para eles deixarem pelo menos no modo vibracall, para eu saber se estão bem, até porque há muitas mães que eu conheço que foram vítimas dos falsos sequestros (aqueles em que os bandidos telefonam dizendo falsamente que estão com as crianças).” No entanto, Elaine admite que às vezes sucumbe aos pedidos de compra dos filhos.

 

De olho nessa demanda, os fabricantes de celulares começam a criar lançamentos para um público cada vez mais jovem. Desde 2007, a Sony Ericsson desenvolve modelos para o público infanto-juvenil. Primeiro foram os da Barbie e dos carrinhos da Hot Wheels. Um ano depois, High School Music foi o tema e, no fim do ano passado, a Hello Kitty invadiu as prateleiras das lojas. “Identificamos um mercado relevante que ainda não estava sendo trabalhado de forma correta”, afirma o gerente de produtos da empresa, Everton Caliman.

 

Segundo ele, outras empresas haviam tentado oferecer celulares a esse público, mas nenhuma com iniciativa que conseguisse associar entretenimento, design e preço acessível. “Nossa função é disponibilizar tecnologia e produto”, declara.

 

De olho no aparelho

 

Na onda da tecnologia, há também desvantagens. Até onde os pais podem impor limites aos filhos quanto ao uso desse aparelho, especialmente se eles dispõem de acesso à internet? De acordo com a educadora e escritora do Rio de Janeiro Tânia Zagury, autora do livro Educar sem culpa, muitos pais querem diminuir a culpa da ausência – já que a maioria trabalha demais – dando presentes para os filhos. “Eles têm dificuldade em dizer não para suas crianças”, explica.

 

Para ela, o ideal é postergar o uso do telefone móvel, para não expô-las tão cedo a um universo de informações e multiuso. “É preciso haver maturidade emocional para você dominar a ferramenta e não se tornar vítima dela, pois uma vez que o celular começa a ser utilizado pelas crianças, não há mais volta.” Tânia acredita que o celular desconcentra em ambientes que exigem foco, como a escola, e muitas vezes dificulta o diálogo em ambientes sociais. “Toda vez que o celular toca, você precisa interromper a conversa para se concentrar em outra, e isso é ruim. O aparelho deve ser usado para funções específicas, e não se transformar em um objeto vital no dia a dia do seu dono”, comenta.

 

O que as escolas acham dos celulares

 

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