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Sequência de noites mal dormidas pode causar problemas cardíacos no futuro

Não há como negar: uma noite bem dormida faz maravilhas pelo nosso bem-estar. Ganhamos mais humor, energia e disposição, além de uma mente mais ágil e um corpo descansado. Porém, o inverso também é verdadeiro. Quando a qualidade do sono é prejudicada, os impactos aparecem – inclusive na saúde.
 

Ao contrário do que muitos acreditam, o sono não é apenas um momento em que cérebro e corpo repousam. ”Nesse período, ocorrem funções metabólicas e hormonais importantes, assim como o processamento da memória”, afirma a neurologista Anna Karla Smith, do Instituto do Sono (SP). "Nessa hora também ocorre a síntese de algumas substâncias no cérebro. O comprometimento dessa atividade, chamada sono fisiológico, causa, a longo prazo, distúrbios cardíacos significativos”, complementa.


A insônia está entre os distúrbios mais comuns, principalmente entre as mulheres. Ela é caracterizada pela dificuldade de dormir ou pelo sono muito fragmentado. Já entre os homens, problemas respiratórios como apneia (interrupção da respiração que leva à queda de oxigênio no sangue e a despertares) e ronco são os mais frequentes e, indiretamente, interferem no sono.
 

 

De acordo com Anna Karla, a insônia é um sintoma decorrente do estilo de vida da pessoa. "Se o indivíduo é ansioso ou deprimido, a insônia aparece como uma causa secundária. Quem tem problemas respiratórios também tem sono fragmentado”, conta.


A especialista destaca ainda um efeito psicológico do distúrbio, que cria uma espécie de ciclo. "Ao dormir mal, a pessoa desenvolve um comportamento que a faz dormir pior ainda. Passa a temer o horário de deitar e aí não consegue dormir mesmo."


Existem também as causas ambientais. São situações em que a pessoa não consegue dormir por conta de ruído, luminosidade, porque o companheiro ronca, etc.


Com o tempo, o paciente desenvolve lapsos de memória e atenção, já que os neurotransmissores (células nervosas) passam a funcionar de modo inadequado. O humor também é afetado, sobretudo se houver predisposição à depressão. A continuidade do quadro de insônia pode levar a doenças cardiovasculares como hipertensão e arritmia, além de alterações de pressão arterial.


Geralmente, o tratamento contra insônia demanda medicamento e psicoterapia. "Se o paciente está em tratamento de depressão, por exemplo, é preciso agir em cima desta causa e, conjuntamente, escolher o melhor medicamento”, diz a especialista.
 

Sonambulismo existe


Mesmo com os mitos que envolvem o sonambulismo, esse é um distúrbio que normalmente atinge crianças ou adultos jovens e, em geral, desaparece com o crescimento, sem necessidade de tratamento. Quando adultos são vítimas, pode se optar pelo uso de medicamentos e psicoterapia até por segurança, já que o controle das ações de um indivíduo mais velho durante uma crise é mais difícil.


Durante a crise, a pessoa fala, senta e anda pelos ambientes da casa, podendo manusear objetos pontiagudos e perigosos. Anna Karla aponta que as causas podem ser hereditárias ou – o que é mais comum – consequência de momentos conflitantes e traumáticos. "Normalmente, é alguma situação de ansiedade que deveria ser processada durante o dia, mas que a pessoa acaba levando para a noite. O indivíduo não tem um sono fisiológico, porém, as crises geralmente acontecem no início da noite, são rápidas e não costumam acontecer sempre."


Contrariando a crença popular, não há nenhum perigo em acordar um sonâmbulo. "É a mesma coisa que acordar uma pessoa que está dormindo profundamente. Ela acordará assustada. O único problema é que vai gerar ansiedade", conclui a neurologista.

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