Por dentro da pílula anticoncepcional
Há diversos tipos de pílula no mercado, mas só o médico pode indicar a melhor
Criada na década de 1960, a pílula está entre os métodos contraceptivos mais utilizados no Brasil. No entanto, muitas mulheres não se adaptam ao medicamento, que, dependendo de sua composição hormonal, pode ter alguns efeitos colaterais, como sangramentos e enxaqueca.
“A pílula é um dos métodos mais seguros disponíveis no mercado, com até 99% de eficácia", afirma a médica Ana Cláudia Camargo, ginecologista e obstetra do Hospital e Maternidade Brasil, em Santo André. Ela só não protege totalmente no caso das mulheres que cometem erros na hora de ingerir o medicamento. "Muitas se esquecem de tomá-la todos os dias, outras não realizam direito a pausa de uma semana antes de iniciar uma nova cartela", explica o presidente da Comissão Nacional de Anticoncepção da Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (Febrasgo), Rogério Bonassi Machado. Além disso, não adianta tomar dois comprimidos se você se esqueceu de ingerir um deles no dia anterior.
Há ainda benefícios extraconceptivos para a usuária da pílula. "Ela ajuda a melhorar os sintomas da TPM, além de reduzir o fluxo menstrual e as cólicas", acrescenta o especialista. Além disso, previne a endometriose, uma doença na qual o endométrio - a camada interna que reveste o útero - fica fora da cavidade uterina.
O que é a pílula?

O medicamento é fabricado a partir da síntese do estrógeno e da progesterona, hormônios produzidos nos ovários. A ingestão diária “engana” o organismo, que passa a acreditar que já há uma gravidez. Portanto, interrompe-se a produção de novos óvulos.
Ao longo do tempo, as pílulas anticoncepcionais mudaram. As primeiras continham doses muito elevadas de estrógeno e progesterona, causando muitos efeitos colaterais. Com a evolução, a dose de hormônios diminuiu, reduzindo as respostas adversas do organismo ao medicamento.
Outro medo de muitas mulheres, o de encontrar dificuldade para engravidar quando parar de tomar o medicamento, é infundado, segundo a ginecologista Ana Cláudia. A pílula, afirma, não interfere na fertilidade feminina, pois esse anticoncepcional não tem efeito cumulativo no organismo. “O mito de que ela atrapalha o processo de gestação é alimentado pelas mulheres que têm problemas de fertilidade, e que só descobrem isso quando param de tomar o comprimido”, afirma a médica.
No dia seguinte
Conhecida como a pílula do dia seguinte, esse medicamento é uma contracepção de emergência, e deve ser usado apenas quando outro método anticoncepcional falha. Por exemplo, se a camisinha estourou, você pode optar por ingeri-la.
O comprimido nunca deve ser tomado rotineiramente, porque contém alta carga hormonal. Portanto, não faz bem ao organismo. Entre os efeitos colaterais estão a aceleração da menstruação ou o atraso da ovulação, dependendo do caso. “Apesar de muitas farmácias comercializarem livremente o produto, ele só pode ser vendido com receita médica”, alerta a especialista.
Há apenas 5% de chance de engravidar se o medicamento for tomado nas primeiras 12 horas após uma relação sexual desprotegida. Entre 25 horas e 48 horas, o risco é de 15% e, entre 49 e 72 horas, de 42%.
A arquiteta Fernanda Gomes, de 28 anos, conta que precisou recorrer ao método. “Só usei porque tinha esquecido de tomar a pílula convencional’, afirma. Foi uma alternativa, já que não planeja ter filhos agora. “Só não dá para abusar”, ressalta.
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ANA PAULA RAMOS ROTA
Matéria de extrema importância!!!! ótima matéria ;)