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Com Bernardinho no comando, Unilever busca heptacampeonato da Superliga Feminina de vôlei

Exemplo de superação dentro e fora das quadras, Bernardo Rocha de Resende, o Bernardinho, é técnico da seleção brasileira masculina e das meninas da Unilever. E, atualmente, está totalmente concentrado em um novo desafio: conquistar o pentacampeonato consecutivo da Superliga Feminina de vôlei neste domingo, dia 18 de abril, às 10h, no ginásio do Ibirapuera, em São Paulo.

 

Depois de eliminar o São Caetano em uma semana turbulenta – marcada pelas chuvas na capital fluminense, que fizeram com que a delegação liderada por Bernardinho ficasse ilhada no ginásio do Maracanãzinho –, o adversário da vez é o Osasco, o mesmo das últimas seis decisões da Superliga.

 

Contando com a força das campeãs olímpicas Fabi e Fabiana, o técnico da Unilever, equipe com melhor campanha da primeira fase do torneio nacional, traz na bagagem a prata olímpica como jogador em Los Angeles (1984) e nada menos que o ouro olímpico em Atenas (2004), além de sete títulos da Liga Mundial como treinador. Com as meninas do Brasil, dois Grand Prix foram conquistados.

 

 

Mas engana-se quem pensa que a final de domingo, que terá cobertura em tempo real no Twitter (@localcomunica), não apresente situações novas para este profissional. Intensificando os preparativos para a decisão, ele garante: “As emoções sempre se renovam”.

 

Que tal acompanhar de perto a partida? Além da promessa de uma torcida empolgante, a Unilever vai ajudar quem necessita. Para cada torcedor presente que estiver sentado do lado do time da Unilever, a empresa doará um quilo de produtos para as vítimas das enchentes no Rio de Janeiro. No final, ela vai duplicar os donativos.

 

 Enquanto o evento não ocorre, fique por dentro das novidades da Superliga e de outros assuntos do nosso vôlei brasileiro lendo as novidades que o Bernardinho contou exclusivamente para VITAL.

 

VITAL – Você é um treinador experiente, acostumado a ganhar títulos. O clima de decisão ainda pode ser encarado como algo novo para você?

 

BERNARDINHO – O fato de ter disputado tantas finais não me dá a condição de pensar que posso estar mais tranquilo. Muito pelo contrário. Ter ganhado títulos anteriormente não garante nada daqui para frente.Todos esperam sempre muito da nossa equipe, que nos últimos cinco anos conquistou quatro títulos seguidos. Uma tensão no ar é natural, mas os trabalhos ao longo da semana vão dissipando um pouco isso. A preparação gera o equilíbrio necessário.

 

 

V – Ao contrário do que muita gente pensa, uma equipe que busca o quinto título consecutivo sofre uma pressão maior, de torcedores, da imprensa e da própria equipe. Há algum trabalho para preservar o ambiente do staff nesse sentido?

 

B – É natural que a pressão vá se criando. Esta é uma semana especial. Mas as duas equipes (Unilever e Osasco) chegaram à final com demonstração de força.

 

V – De que forma a pressão pode ser aliada de uma equipe?

 

B – A pressão tira a gente de uma zona de conforto, de uma certa acomodação que poderia existir. No treino, eu apontei que uma das características dos campeões é que eles se sentem confortáveis nos momentos de desconforto. Temos de nos sentir bem nesses momentos de decisão, porque essa sempre foi a nossa meta, ou seja, onde queríamos estar. O treinamento depende muito do emocional, por isso trabalhamos a autoconfiança.

 

V – O fato de jogar fora de casa, do Rio de Janeiro, vai atrapalhar o time na decisão?

 

B – Isso não é uma preocupação nossa. Estamos nos preparando para fazer uma boa partida. Jogar bem é o início da história. Temos de ser equilibrados em quadra, ter inteligência, pois sabemos das qualidades do Osasco.

 

V – Enfrentar ex-jogadoras do time, como Sassá e Thaísa, com as quais você já trabalhou, pode ajudar?

 

B – Há dois anos elas estavam conosco. Elas também nos conhecem bem. É realmente uma disputa muito equilibrada. Temos de ganhar coletivamente, ser muito eficientes nesse sentido. Não é individualmente que vamos chegar lá. As mais experientes de nosso time assumem grandes responsabilidades nessa hora, o que é natural, como no caso das duas Fabianas (a central e capitã e a líbera), da Érika (ponteira) e da Dani Lins (levantadora).

 

V – Quais as situações que você destacaria no time atualmente?

 

B – Foi uma temporada de irregularidades, sobretudo na parte física. As jogadoras tiveram, algumas delas, muito tempo na seleção. Algumas chegaram contundidas, como a central Fabiana, a própria Carol (Gattaz, meio de rede), que praticamente treinou 50% da carga que deveria por causa de uma lesão no pé. A Dani Suco (central) rompeu o tendão de Aquiles ainda no primeiro turno. Tivemos muitas superações de lesões. Isso nos fortalece agora, pois chegamos completos à final.

 

V – Houve uma preparação especial pelos adiamentos dos confrontos da semifinal contra o São Caetano por causa das chuvas no Rio?

 

B – Chegamos a ficar presos no Maracanãzinho, pois não tínhamos como sair. Nosso supervisor ficou parado no trânsito às 18 horas e só chegou em casa às 9 horas da manhã do dia seguinte. Naquele momento, havia o cansaço, o desgaste. Trabalhamos muito para transformar esses momentos de dificuldade em uma coisa boa e superar aquilo tudo. Acabamos ganhando a segunda partida e a última, marcada pela superlotação por ter sido disputada em um local de menor capacidade.

 

V – Falando no voleibol feminino em geral, quais as dificuldades que as equipes mais acusam?

 

B – O que existe, às vezes, é um pouco da descontinuidade com relação a apoios privados. De uma forma geral, o momento do voleibol é bom. Houve o repatriamento de muitos atletas, tanto no feminino como no masculino. A Sheilla (oposto), a Mari (ponta e oposto), a Fofão (levantadora) estavam fora do país. Contamos hoje em dia apenas um expatriamento, o da Paula. Mas esses são ciclos naturais.

 

V – Descontinuidades podem atrapalhar o desenvolvimento de futuras gerações? Para quem quer viver do vôlei, é um bom momento?

 

B – Acho que vivemos um bom momento. As bases das seleções são muito boas. A preocupação com a revelação de novos talentos é permanente. Uma Superliga forte gera o interesse do jovem em se tornar um profissional do voleibol, chegar à seleção, jogar em uma equipe competitiva, querendo jogar na Unilever, no Osasco. Isso alimenta o laboratório na base.

 

V – Você fez história como jogador e treinador também na seleção masculina. Quais as diferenças entre o comando de uma equipe masculina e feminina?

 

B – Acho que no lado emocional, a mulher sente mais. Por isso, a atenção na parte emocional precisa ser muito bem trabalhada. Por outro lado, as mulheres sempre reagem aos desafios mais fortemente.

 

 

Fotos: Satiro Sodré / adorofoto

         

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