Como ensinar hábitos sustentáveis?
Orientação e bom exemplo ajudam a despertar consciência ecológica nas crianças.
Quando recém-nascidos, parece que só dormem, mamam e choram (principalmente, choram). Aos poucos, os filhos vão manifestando personalidade, observando o que ocorre ao redor, imitando atitudes dos adultos. Começam, então, a adquirir hábitos — bons e ruins: lavar as mãos antes de comer, dizer “por favor” e “muito obrigado”, cumprimentar as pessoas, não deixar a toalha molhada sobre a cama, roer as unhas, dormir de noite...
“Começa de bebê, quando a criança percebe que existe uma rotina. Ela vê que a mãe se afasta em determinado horário para trabalhar, que tem o horário de tomar banho, e começa a agir de acordo. A rotina é a mãe do hábito”, define a psicopedagoga Maria Inês Maluf. “Aos poucos, a criança é confrontada com a imagem que o outro esperava dela antes mesmo de nascer. Ela pode passar a imitar os hábitos dos pais buscando aceitação, para ser amada e reconhecida”, complementa o psicanalista Sergio Luis Braghini, professor de pós-graduação na Escola de Sociologia e Política em São Paulo.
Como o primeiro contato geralmente é com os pais, é neles que os pequeninos ficam de olho. Com o passar do tempo, o leque de influências se abre. “Com TV, internet, revistas e outros meios, as crianças têm grande acesso à informação, e as normas ficam todas em cheque”, opina Maria Maluf, ex-presidente da Associação Brasileira de Psicopedagogia. “O desenvolvimento é muito ligado ao ambiente em que se vive. Não basta pensar no que se aprende em casa, a criança é também reflexo do seu meio”, reforça o pediatra Ricardo Suqienniq, que trabalha na Santa Casa de Porto Alegre.
Hábito sustentável
Diante de tanta concorrência, como, então, conseguir passar bons hábitos para a criança? Não há uma fórmula infalível, mas em um ponto todos os especialistas concordam: é fundamental participar das ações dos filhos, dando o exemplo.
É o que faz Fernanda Correia, integrante da ONG ambiental Instituto Triângulo, com a filha Bárbara, de 14 anos. “Em casa, a gente separa junto o lixo reciclável, revistas, recolhe o óleo para não jogar na pia. Pelo contato que a Bárbara tem com o meu trabalho de mobilização, acaba pegando fácil”, conta Fernanda, que trabalha na área ambiental há quatro anos.
Não é só pelo exemplo, porém, que a criança aprende. Uma bronca bem dada também funciona. “Depois de chamar a atenção, a gente vê mudança em atitudes como, por exemplo, não jogar o pote de xampu no lixo do banheiro, mas no recipiente para recicláveis”, descreve Fernanda.
Para Maria Maluf, o importante é saber a hora de dizer não e de participar. Mesmo essa estratégia, contudo, tem validade por tempo limitado. “Quem educou certo, educou até os 12, 13 anos e ponto. Até essa idade, se forma a personalidade da criança e se passam valores que a acompanham.”
A ambientalista Fernanda, que possui uma filha adolescente, destaca a importância de respeitar a personalidade da criança. “A Bárbara incorporou essas atitudes sustentáveis no seu cotidiano, mas não chegou ao ponto de se interessar por um ativismo ambiental maior, de me acompanhar em grupos sobre o tema. Isso também vai da individualidade dela, o importante é que ela adotou um costume que é benéfico”, frisa.
Fotos: Neils Andreas





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