Por Ester Beatriz, do blog Saber é Bom Demais

Nós sempre temos a irritante mania de dizer "não gosto" antes mesmo de conhecer ou experimentar não é mesmo?

Vejam as crianças com relação à comida, por exemplo. Diante de um belo prato de salada rica e variada, elas já se valem do corriqueiro jargão sem nunca ter dado uma mordida sequer em uma folha de alface. Se no prato não tiver nada com cara de hambúrguer com fritas, nada feito. Típico.

Eu mesma já fiz isso muito para uma série de coisas. Videogames, por exemplo. Nunca havia experimentado, mas eu tinha uma birra negativa daqueles gadgets que tanto tomavam a atenção dos homens. O maridón então quando não preteria um happy hour ou uma visitinha familiar básica por conta de um jogo do momento recém-lançado, incluía isso como pauta nas conversações conjugais. Me via encurralada. O que fazer se ele sempre gostou desde pequeno? Tentar mudar esse quadro poderia resultar em divórcio.

Senti que deveria fazer algo. Então, depois de muito ponderar achei que seria mais inteligente (ou prudente) fazer uso da velha máxima "se não puder vencer o inimigo, junte-se a ele". E não é que mordi a língua?!

Passei a entender porque isso conseguia ser tão fascinante e porque adultos se interessavam tanto. Videogame também é "brinquedo" de gente grande. Fato.

Troquei o "odeio" pelo "adoro" simplesmente porque me permiti dar uma chance ao meu arqui-rival tomador de atenção de maridos. Como eu poderia não gostar de algo sem nunca ter experimentado?

Hoje, não só virei defensora incondicional de videogames como consegui um fã número 1, meu marido, com quem mantenho altos diálogos sobre lançamentos, evolução gráfica e tudo mais relacionado ao universo dos games.

Meus filhos então ficam cheios de orgulho quando os amigos dizem "__Caraca, que legal! Sua mãe joga videogame!!!"

A mim só me restou pensar por que não tentei isso antes? Não existe coerência em não gostar do que não se sabe. É preciso se livrar das mordaças do preconceito pelo desconhecido ou mesmo do receio do novo muitas vezes alimentado pela falta de interesse.

Acreditem. Ótimas e deliciosas coisas da vida podem se perder pelo simples fato de você não querer saber.