Vamos ter mais apagões?
Por: Unilever Vital, 23.11.2009
Quando as luzes se apagaram na noite de 10 de novembro, a gente soube, aos poucos, que o problema não era só na rua, no bairro, na cidade. Rádio, celular e internet (para quem conseguia se conectar) traziam notícias do blecaute que afetou 18 Estados e desligou por completo Itaipu, a maior usina hidrelétrica do mundo. Aparelhos eletrônicos pifaram, comida estragou na geladeira, muita gente ficou presa no elevador e sem água.
O apagão reacendeu o medo de que voltasse a acontecer algo parecido com 2001, quando o Brasil passou por racionamento de energia. Será que vamos ficar no escuro de novo? Para responder à pergunta, é preciso entender o que aconteceu. De acordo com o governo, um temporal, raios e vento forte causaram curto-circuito nas linhas que transmitem eletricidade das usinas para as casas. Com isso, 46% da energia do país foi desligada por três horas e meia, em média.
Blecautes como esse não são novidade. Em 1999, 70% da energia do Brasil foi cortada por quatro horas; em 2002, 60%. Isso sem contar que os Estados Unidos e a Itália tiveram apagões de grandes proporções em 2003 – quase todos os italianos ficaram nove horas sem energia. Se, no apagão recente, foi mesmo só o mau tempo o culpado ou houve falha técnica, ainda não é possível saber. A Aneel (agência para a área elétrica) prepara um relatório para ser apresentado até 23 de dezembro, avaliando o caso.
De qualquer forma, o medo de um racionamento, como em 2001, não precisa voltar, dizem especialistas. Naquele ano, o Brasil vinha investindo pouco no setor elétrico e não chovia com frequência, dois fatos que não ocorrem hoje, afirmaram Nilvado J. de Castro e Roberto Brandão, pesquisadores do setor elétrico da UFRJ, em artigo na Folha de S. Paulo. Mesmo assim, “não estamos livres de blecautes”, afirma a ministra da Casa Civil, Dilma Roussef, ex-titular da pasta de Minas e Energia. Para ela, é possível fazer com que o sistema seja mais protegido, mas não à prova desses eventos.
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