Moda e sustentabilidade
Estilistas apostam no trabalho das rendeiras do Nordeste para incrementar suas produções
É comum associar a renda ao trabalho das rendeiras, que podem passar meses bordando desenhos e estampas de uma única peça. Com o tempo, essa tarefa manual foi sendo substituída por máquinas industriais, que baratearam o custo do tecido, embora a qualidade do produto final tenha se tornado inferior, afirma a professora Elizângela Gomes, da Escola de Moda Sigbol Fashion. Agora, estilistas começam a fazer o caminho contrário e a valorizar o talento dessas mulheres.

Vestido da estilista Martha Medeiros
As principais rendas industriais são as de algodão e poliéster, produzidas com fibras sintéticas. "Elas são bem mais baratas, já que a natural fica sujeita a fatores externos, como a chuva, que pode influenciar na colheita do algodão", ressalta. Isso se reflete no preço. Enquanto o metro da renda produzida com poliéster custa cerca de R$ 5, o da que é feita à mão pode chegar a R$ 120.
Entre os vários tipos de renda feita à mão, uma das mais conhecidas é a de bilro, na qual são usados almofadas e molde do desenho para bordar. Há ainda a guipure, com bordados mais largos e que pode ser feita de linho, seda ou algodão, e a renascença, a atual menina dos olhos do mundo da moda. Foi procurando por essa variante que a estilista Martha Medeiros, de Maceió (AL), conheceu o trabalho da Associação das Rendeiras de São João do Tigre, na Paraíba.
Renda sustentável
A presidente da cooperativa, Fátima Sulene de Oliveira Medeiros, conta que 200 mulheres produzem as peças de Martha, que demoram cerca de 30 dias para ficar prontas. "É um trabalho diferenciado, com estampas e um colorido próprios", afirma. Já Martha explica que começou apostando nas rendas de Alagoas. No Estado, ela trabalha com cinco cooperativas, que desenvolveram a renda file, feita com rede de pescar por mulheres de pescadores que vivem às margens da Lagoa Mundau.

Blusa com manga e costas rendadas

Vestido para noite com detalhes em renda
Além de Alagoas e Paraíba, a estilista de Maceió possui parcerias com artesãs de Pernambuco, Rio Grande do Norte, Ceará e Piauí. Ao investir nessas cooperativas, ela alia moda com sustentabilidade, já que gera renda para essas trabalhadoras. O resultado também é diferenciado.
"Ninguém quer sair fantasiada de toalha de mesa porque renda está na moda. A mulher quer sair com uma roupa incrivelmente bem cortada, moderna, que tenha todas as novas informações de moda, com cores novas e diferenciadas", afirma Martha, responsável pelo look de artistas como Marília Pêra, Deborah Secco e Sabrina Sato, entre outras.
Fotos: Niels Andreas Glogowski
Tecido pode ser usado por quem quer uma produção sexy ou romântica
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ANA PAULA RAMOS ROTA
Trabalho lindo...adorei!!!